O Ozempic está a "acabar" nas prateleiras e a culpa é das clínicas privadas

27 jun, 18:40
Ozempic (Foto: Joel Saget/AFP via Getty Images)

Alerta foi lançado pela Agência Europeia de Medicamentos, que pediu aos médicos para não prescreverem estes medicamentos para um uso não correspondente ao da licença de produção enquanto houver escassez

Ozempic, e não só, está a acabar nas prateleiras das farmácias. O alerta foi deixado esta quinta-feira pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), que não tem dúvidas em apontar o dedo às clínicas privadas. Este órgão regulador apelou ainda aos médicos para pararem de prescrever os medicamentos fora das suas licenças de utilização para aliviar a escassez, escreve o POLITICO.

Segundo a Agência Europeia do Medicamento, as clínicas privadas são demasiado rápidas a prescrever medicamentos para a diabetes e a obesidade por razões “cosméticas”. Ao mesmo tempo, que pelo mundo fora ecoam os alarmes de uma escassez crónica deste tipo de medicamentos. Enquanto os stocks estiverem em baixo o regulador sugeriu aos médicos que não prescrevam os mesmos fora das suas licenças de uso - ou seja, tratar pessoas com estas duas doenças - diabetes e obesidade.

Desde que a Novo Nordisk publicou dados que mostram efeitos significativos na perda de peso, tem havido um aumento na procura dos chamados agonistas dos receptores GLP-1, uma classe de medicamentos utilizados para tratar a diabetes tipo 2 e a obesidade. Um trabalho científico que levou à escassez destes tratamentos logo em 2022.

A EMA admite que as restrições à produção dos medicamentos também parte da razão desta falta, todavia a venda para outros fins - uso off-label - que não o tratamento das referidas doenças tornou-se decisivo para a rutura de stocks. E isto é um facto que irá perdurar no tempo, ao longo de 2024.

“Particularmente com as prescrições privadas, havia um indício para nós de que era um pouco demais na indicação off-label”, disse Karl Broich, co-presidente do grupo diretor da escassez de medicamentos da EMA, acrescentando que isto foi observado na Alemanha, escreve o POLITICO.

Segundo a mesma notícia, a intenção não é tirar a liberdade aos médicos, mas que a nova orientação emitida pela EMA na quarta-feira os torne "mais conscientes” de que são necessários – “por enquanto” – para pacientes com diabetes ou obesidade, acrescentou Broich, que também dirige o Instituto Federal de Medicamentos e Dispositivos Médicos da Alemanha (BfArM).

A EMA também está a planear um “estudo do mundo real” para compreender melhor como as pessoas estão a consumir estes medicamentos em toda a Europa.

Emer Cooke, chefe da EMA, afirmou numa conferência de imprensa que os medicamentos que sofrem a maior escassez são o Ozempic da Novo Nordisk, o Victoza, o Saxenda e o Trulicity da Lilly. Todos, exceto Saxenda, estão licenciados para tratar diabetes, enquanto Saxenda é para obesidade.

“Esses medicamentos estão por toda parte, desde discussões on-line até nas redes sociais e declarações públicas de celebridades, e estão se tornando parte da cultura popular”, firmou ela, citada pelo POLITICO.

“Estamos preocupados com o facto de as nossas mensagens nem sempre chegarem aos prestadores de cuidados de saúde, aos pacientes e aos consumidores, cujos esforços realmente farão a maior diferença para nos ajudar a gerir esta escassez.”

Isto é particularmente importante, uma vez que a oferta não aumentará tão cedo, apesar das recomendações da EMA para aumentar a produção, disse ela. “Podemos apoiar e facilitar o aumento da produção do ponto de vista regulatório, mas estes são processos demorados e podem envolver outros intervenientes adicionais”, disse ela.

Questionado pelo POLITICO se havia provas de que os fabricantes de medicamentos estavam a promover os seus produtos fora do uso licenciado – que é proibido e regulamentado a nível nacional – Broich assumiu, por exemplo, que a Novo Nordisk estava ligada a esta prática na Noruega.

Mas há outro ponto que é importante ressalvar e que a EMA refere. A procura destes medicamentos levou ao interesse de resde criminosas “aumentando o risco de produtos falsificados entrarem no mercado com graves consequências para a saúde pública”. Na verdade, o regulador alertou, em outubro passado, que canetas Ozempic pré-cheias falsas foram encontradas na UE e no Reino Unido. Ainda a semana passada, a Organização Mundial de Saúde, encontrou mais lotes dessas canetas.

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