Covid-19: nova vaga só no fim do ano - e há duas ameaças "críticas" a ter em conta

16 fev, 12:02

Pico da quinta vaga foi atingido a 28 de janeiro e a atividade viral está numa "fase decrescente". Especialistas alertam para a necessidade de monitorizar o aparecimento de variantes e a imunidade da população

Depois de cinco vagas, Portugal caminha para uma fase endémica da covid-19, doença que veio para ficar, e que deve voltar a registar novo pico no país no próximo outono/inverno. Essa é a previsão dos especialistas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que veem um "potencial de sazonalidade" no vírus, em semelhança ao que aconteceu com outros coronavírus, ou ao que acontece com a gripe.

"Há um potencial de sazonalidade que se possa vir a formar", disse Baltazar Nunes, verificando que o mesmo acontece com outras infeções respiratórias.

Assim, e tendo em conta um cenário em que não vão existir medidas de combate à doença nessa altura, é esperada uma "atividade epidémica mais intensa" a partir do próximo mês de setembro, que deverá conhecer o seu pico até novembro.

Essa nova vaga terá menos impacto na mortalidade, mas os especialistas alertam para a monitorização de três "fatores críticos": surgimento de uma nova variante de preocupação, momento do período epidémico anterior e a duração da imunidade conferida pela vacinação ou por uma infeção prévia.

O especialista do INSA Baltazar Nunes admite que o surgimento de uma nova variante - que Ana Paula Rodrigues, também do INSA, deu como quase certo - vai ter maior ou menor impacto consoante a gravidade e a capacidade de fugir à imunidade conferida pela vacinação.

"De alguma forma, estes fatores necessitam de uma monitorização próxima durante os próximos meses, para percebermos que potencial podemos ter", explicou.

Pico foi atingido a 28 de janeiro e Portugal está em fase decrescente

O pico da quinta vaga de covid-19 foi atingido a 28 de janeiro em Portugal, país que se encontra, atualmente, numa fase decrescente da atividade viral. Essa foi a conclusão apresentada por Pedro Pinto Leite, responsável da Direção-Geral da Saúde (DGS), que teve como referência um período que terminou a 13 de fevereiro.

Segundo dados apresentados por Pedro Pinto Leite, atualmente a incidência cumulativa a sete dias por 100 mil habitantes, entre 7 e 13 de fevereiro, é de 1.562 casos, o que representa menos 45% relativamente ao período homólogo e indica que Portugal de encontra “numa tendência decrescente” da pandemia.

“O pico da incidência terá ocorrido no dia 28 de janeiro, com 2.789 casos a sete dias por 100 mil habitantes”, salientou o especialista DGS.

"Portugal passou por cinco grandes ondas epidémicas. Estamos na quinta maior onda da pandemia, com uma incidência 45% inferior ao período homólogo", referiu o especialista da DGS. "Estamos muito longe do que estivemos no inverno passado", afirma Pedro Pinto Leite.

De resto, esse é um valor que pode descer de forma considerável em apenas dois meses, com o INSA a perspetivar uma incidência de apenas 60 casos por 100 mil habitantes no fim desse período.

Segundo Baltazar Nunes, Portugal vem registando uma queda no índice de transmissibilidade (Rt), que chegou a ser de 1,53 no Natal, encontrando-se atualmente nos 0,76.

Frisando os "aspetos positivos" da situação epidemiológica, Pedro Pinto Leite aponta que "estamos numa tendência decrescente" de casos de covid-19. Também a cobertura vacinal é referida como um aspeto positivo, com números bastante satisfatórios: "O risco de internamento foi duas a sete vezes inferior nas pessoas com vacinação completa".

Dando como exemplo o grupo etário dos 80 e mais anos, referiu que por cada 100 pessoas infetadas, 23 acabavam por ser internadas quando não tinham o esquema vacinal completou, o que desce para três quando têm a dose de reforço.

“Isto é uma redução substancial do risco e reforça a proteção conferida pela vacinação e a confiança que temos na vacinação na diminuição da gravidade da doença”, vincou Pedro Pinto Leite.

Sobre o impacto da pandemia nos serviços de saúde, disse que há “uma estabilização” do número de internamentos e uma tendência decrescente nas unidades de cuidados intensivos.

Na semana de 7 a 13 de fevereiro, corresponderia a 148 internamentos, menos 17% face ao período homólogo, e a 58% do nível de alerta da linha vermelha definida em 255 camas de cuidados intensivos.

O perito da DGS destacou também como outro “aspeto positivo” o facto de todos os grupos etários apresentarem atualmente “uma incidência com tendência decrescente”.

Realçou o facto de ao longo desta onda pandémica se ter conseguido manter “incidências relativamente mais baixas” nos mais velhos, que estão associados depois a uma maior gravidade e mortalidade, em comparação com outros grupos etários.

Pedro Pinto Leite referiu igualmente que a proporção da positividade nos testes à covid-19 está a decrescer, encontrando-se nos 18,8%, apesar de ainda estar acima do valor de referência do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doença, que é de 4%.

No entanto, disse, também estão a ser realizado menos testes. Na semana em análise, foram feitos 996.474, dos quais 31% correspondem a testes PCR e 69% a testes rápidos de antigénio realizados em farmácia ou em laboratórios.

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