2026 começou de forma caótica. O ouro e a prata continuam a subir

CNN , Análise de David Goldman
15 jan, 14:39
Barras de ouro e prata. Angel Garcia/Bloomberg/Getty Images

O ouro é tradicionalmente um ativo de refúgio contra a inflação, défices crescentes, tensões geopolíticas e preocupações económicas em geral. Numa lógica semelhante à de “guardar debaixo do colchão”, os investidores compram ativos tangíveis, incluindo ouro, quando estão preocupados

Donald Trump está a ameaçar tomar “medidas fortes” contra o Irão pouco depois de ter capturado o líder da Venezuela. A sua administração está a investigar criminalmente o presidente da Reserva Federal e está a adotar uma abordagem de terra queimada em relação ao custo de vida, ao ameaçar importantes fontes de lucro dos bancos e de investidores institucionais.

2026 começou de forma caótica.

Seria de esperar que isso fosse suficiente para lançar o mercado acionista numa espiral descendente. Mas os investidores em ações estão a reagir com relativa calma a grande parte destas notícias: as bolsas atingiram um máximo histórico na segunda-feira e desde então recuaram apenas ligeiramente.

Em vez disso, os investidores estão a expressar os seus receios ao incendiar o mercado dos metais.

A prata subiu mais de 6% na quarta-feira, ultrapassando os 90 dólares por onça (cerca de 83 euros), e acumula uma valorização de 29% este ano. É um ganho impressionante, sobretudo tendo em conta que os preços da prata dispararam 141% em 2025, o melhor desempenho desde 1979.

O ouro avança quase 1% na quarta-feira, bem acima dos 4.600 dólares por onça (cerca de 4.230 euros), e já ganhou 22% em 2026. Tal como a prata, o ouro também teve em 2025 o seu melhor ano desde 1979, com uma subida de 65%.

Os preços do estanho, cobre, alumínio, lítio e zinco também estão a subir em 2026.

O ouro é tradicionalmente um ativo de refúgio contra a inflação, défices crescentes, tensões geopolíticas e preocupações económicas em geral. Numa lógica semelhante à de “guardar debaixo do colchão”, os investidores compram ativos tangíveis, incluindo ouro, quando estão preocupados.

Os preços dos metais dispararam após os ataques dos EUA à Venezuela e voltaram a subir com as ameaças de Trump contra o regime iraniano, depois de uma repressão alargada sobre manifestantes.

Apesar da reação contida das ações, os metais receberam novo impulso depois de o presidente da Fed, Jerome Powell, ter anunciado no domingo que é alvo de uma investigação criminal, levantando receios de que a Reserva Federal possa perder a sua independência política. Embora uma Fed mais politizada possa beneficiar as ações no curto prazo, ao baixar as taxas de juro, poderá prejudicar a economia a longo prazo, ao minar a credibilidade do banco central e potencialmente reacender um problema de inflação.

Essas preocupações também reativaram, em certa medida, a estratégia de “vender a América”, fazendo cair os títulos do Tesouro dos EUA e o dólar. Os receios em torno de grandes défices também deram novo fôlego à chamada “estratégia de desvalorização”, que tem agravado essas tendências. À medida que o dinheiro sai desses mercados, ativos como o ouro e a prata tornam-se relativamente mais baratos.

Mas os metais não estão a subir apenas por causa do medo. A velha lei da oferta e da procura também está a ajudar. Apesar do aumento das tarifas, a China encontrou novos mercados de exportação, levando o seu excedente comercial a um máximo histórico e impulsionando a procura por metais usados em produtos eletrónicos fabricados no país. A expansão maciça da inteligência artificial também alimentou a procura de metais nos centros de dados que suportam o crescimento tecnológico.

O aumento dos custos dos metais pode tornar-se um problema numa altura em que os americanos enfrentam crescentes dificuldades com o custo de vida. Estes componentes entram numa vasta gama de bens de consumo. E os preços do petróleo, embora ainda baixos, começaram a subir em conjunto com outras matérias-primas.

“Em resumo, estamos a assistir a uma inflação séria nos metais industriais”, afirma Peter Boockvar, analista independente, numa nota enviada aos clientes. “O próximo presidente da Fed vai ter um dilema considerável em mãos.”

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