Capital canadiana "sob cerco" dos manifestantes declara estado de emergência

7 fev, 10:13

Autarca de Otava admite que situação está descontrolada, com milhares de manifestantes a ocuparem o centro da cidade opondo-se às restrições decretadas para conter a pandemia, mas também às medidas do governo de Justin Trudeau

O autarca de Otava declarou no domingo estado de emergência na cidade, devido aos protestos contra as restrições impostas para conter a covid-19 que estão a paralisar a capital canadiana, na província de Ontário.

O chefe da polícia local admitiu mesmo, segundo o The Guardian, que a cidade está sob um "cerco" que as autoridades não estão a conseguir gerir, com os habitantes no limite devido ao buzinão incessante e perturbações no trânsito causados pelos manifestantes do chamado "freedom convoy", "caravana da liberdade" numa tradução literal. Dezenas de camiões, tratores e outros veículos, bem como tendas, foram colocados de forma a bloquear as estradas no centro da cidade.

Jim Watson, o mayor de Otava, esclareceu que a declaração do estado de emergência dá ao município poderes adicionais para aquisição e entrega de equipamentos e serviços, nomeadamente para a compra de equipamentos de proteção individual para os trabalhadores essenciais e dos serviços de emergência. O autarca já admitiu que a situação está "fora de controlo" e que os manifestantes são em maior número do que os agentes da polícia mobilizados para o local. Há mesmo relato de ataques racistas durante a manifestação.

Milhares de manifestantes concentraram-se em Otava este fim de semana, juntando-se a algumas centenas de pessoas que se mantinham em protesto desde o fim de semana passado, pedindo o fim das medidas sanitárias decretadas devido à pandemia. 

Os manifestantes dizem que continuarão a sua ocupação da cidade até que as medidas sanitárias restritivas sejam levantadas.

Movimentos semelhantes, mas menores, tiveram lugar em várias grandes cidades canadianas no sábado, incluindo Toronto, cidade de Quebeque e Winnipeg.

O movimento visava inicialmente protestar contra a decisão das autoridades de exigirem, desde meados de janeiro, que os camionistas fossem vacinados para atravessar a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, mas escalou rapidamente. Muitos dos que se uniram aos protestos estão contra o governo de Justin Trudeau e alguns republicanos dos Estados Unidos declararam apoio à manifestação, incluindo o antigo presidente Donald Trump, que chamou ao primeiro-ministro Trudeau um "lunático da extrema-esquerda", acusando-o de destruir o Canadá com medidas "loucas" anticovid.

 

"As relações Canadá-Estados Unidos eram sobretudo sobre resolução de problemas técnicos. Hoje, o Canadá experiencia infelizmente o envolvimento de políticos radicais norte-americanos nos problemas domésticos canadianos. Trump e os seus seguidores são uma ameaça não só para os Estados Unidos, mas para todas as democracias", escreveu no Twitter Bruce Heyman, antigo embaixador dos EUA no Canadá.

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