Incêndio durou uma semana e destruiu floresta e casas. "E não resultou para o indivíduo qualquer benefício - nem monetário, nem social, nem financeiro"
O autor do quinto maior incêndio de 2024 é um jovem de 24 anos, operário fabril, que usou uma "mota de motocross e circulou à volta da localidade de Ossela (Oliveira de Azeméis) colocando fogo em três pontos distintos". Foi detido na terça-feira "na sequência de buscas domiciliárias que tinham sido promovidas pelos serviços do Ministério Público".
Em conferência de imprensa, o inspetor-chefe da Polícia Judiciária Marco Oliveira revelou ainda que o suspeito, residente na localidade onde ateou os fogos, recorreu à "chama direta" para o fazer.
"Usou um isqueiro", adiantou, explicando que os focos ateados pelo jovem "progrediram, juntaram-se e criaram um único incêndio". "Esse incêndio progrediu levando ao desfecho que nós já sabemos, que foi o consumo desta enorme área florestal-"
Apesar dos focos se terem juntado num único incêndio, "representam três crimes" porque "não deixam de ser três incêndios".
O suspeito, que não tem antecedentes criminais - "nem por este tipo de crime, nem por outro tipo de crime" - e que trabalha numa empresa de metalomecânica de Ossela, "é autor destes três incêndios", sendo que os restantes "serão de outros autores". No entanto, nenhuma das vítimas mortais está ligada a este incêndio, garantiu Marco Oliveira.
O jovem vai ser presente ao Tribunal de Santa Maria da Feira para serem determinadas as medidas de coação. Segundo Marco Oliveira, "não foi apurada a exigência de nenhum benefício" para o suspeito, que terá agido sozinho.
"Isto é uma situação individual, não tem qualquer participação de terceiros. E não resultou para o indivíduo qualquer benefício, nem monetário, nem social, nem financeiro. Antes pelo contrário, pode resultar-lhe é num castigo exemplar", acrescentou.
O incêndio em causa começou a 14 de setembro, tendo sido dado como dominado no final da semana seguinte, a 20 de setembro. Só no concelho de Oliveira de Azeméis "consumiu mais de 6.000 hectares de floresta e de mato, habitações e outros equipamentos e edificados, acabando por convergir com os incêndios que tiveram origem em Sever do Vouga e de Albergaria-a-Velha no mesmo período".
