Meloni investigada devido à libertação de suspeito líbio procurado pelo Tribunal Penal Internacional

28 jan 2025, 19:15
Giorgia Meloni é a primeira mulher primeira-ministra de Itália e lidera um governo de coligação. Remo Casilli/Reuters

A líder italiana afirmou que a detenção não seguiu as burocracias obrigatórias, uma vez que o ministro da Justiça não informado antes da operação de detenção, como é requisitado quando as autoridades italianas detêm suspeitos procurados pelo TPI

A primeira-ministra de Itália Giorgia Meloni está a ser investigada pela justiça de Roma devido à libertação de um suspeito líbio procurado pelo Tribunal Penal Internacional.

Osama Elmasry Njeem foi detido em Turim no dia 19 deste mês, mas foi libertado e voltou à Líbia num avião do governo italiano dois dias depois.

Na quarta-feira, dia 22 de janeiro, o TPI emitiu um comunicado onde lamentou o sucedido.

“Em 21 de janeiro de 2025, sem aviso prévio ou consulta do Tribunal, Osama Elmasry Njeem terá sido libertado e transportado de volta para a Líbia. O Tribunal está a tentar obter, e ainda não obteve, uma verificação das autoridades sobre as medidas alegadamente tomadas. O Tribunal recorda o dever de todos os Estados Partes de cooperarem plenamente com o Tribunal nas suas investigações e ações penais", pode ler-se na nota.

Meloni defendeu a atuação do seu executivo.

“Não posso ser chantageada, não me vou deixar intimidar. Tenciono continuar o meu caminho para defender os italianos, especialmente quando a segurança da nação está em jogo, de cabeça erguida e sem medo”, disse a primeira-ministra italiana, citada pelo Financial Times.

A líder italiana afirmou que a detenção não seguiu as burocracias obrigatórias, uma vez que o ministro da Justiça não informado antes da operação de detenção, como é requisitado quando as autoridades italianas detêm suspeitos procurados pelo TPI.

Devido às falhas burocráticas, um tribunal de recurso de Itália recusou manter Njeem detido e ordenou a sua libertação.

De acordo com o próprio TPI, Njeem era o responsável máximo por algumas prisões em Tripoli “onde milhares de pessoas foram detidas por períodos prolongados”.

Njeem é suspeito de “crimes contra a humanidade e crimes de guerra, incluindo assassínio, tortura, violação e violência sexual, alegadamente cometidos na Líbia a partir de fevereiro de 2015”, diz o tribunal.
 

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