Salário baixo, desrespeito da tutela e falta de inovação. As razões do bastonário dos Médicos para as saídas no SNS

23 nov, 07:02
Miguel Guimarães
Miguel Guimarães

Miguel Guimarães diz que no privado se ganha quase o dobro e que a motivação falta no setor

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A saída, todos os dias, de dois médicos dos hospitais públicos, tem, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, uma explicação. “O Serviço Nacional de Saúde não está adaptado às realidades atuais”. Para Miguel Guimarães os salários baixos, a falta de respeito da tutela e o envelhecimento da população são fatores decisivos para que cada vez mais médicos abandonem o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Hoje em dia, diz, não há qualquer “valorização do trabalho” destes profissionais de saúde nos hospitais públicos.  “No privado, os médicos ganham quase o dobro”, lembra. Além disso, quando comparados com outros países, a situação piora.

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Os médicos demoram 11 a 13 anos a ter especialidade e têm das valorizações mais baixas na Europa”, refere o bastonário. Já quando se compara com os colegas de outros países a diferença de salários ainda é maior: entre quatro a cinco vezes mais no Reino Unido, três vezes mais em Espanha e seis vezes mais em França.

Segundo o bastonário, há actualmente uma falta de interesse em trabalhar no público. “Há mudanças importantes. A esperança média de vida, o envelhecimento, as doenças crónicas. O SNS precisa de se modernizar”, aponta, referindo ainda um sentimento de falta de respeito por parte do Estado, sendo que “a solução é procurar outro caminho”. É na fase em que acabam os internatos e se tornam especialistas que os médicos optam por mudar.

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“Falta motivação, falta acesso a inovação terapêutica e tecnológica”, garante, avisando que é preciso tornar “o SNS mais atrativo”.  Um dos exemplos desse desencanto com o SNS é o facto de no último concurso público aberto pelo Ministério da Saúde, 40% das vagas terem ficado por ocupar “o problema é mais grave no sul do que no norte”, conta.

Miguel Guimarães diz que o Estado utiliza como argumento para a exclusividade no SNS a falta de médicos. No entanto, segundo o bastonário, esta é uma falsa questão, afirmando que, que aponta que 40% das vagas do último concurso de contratação ficaram vazias.

Essa é uma teoria corroborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, na sigla original), que no relatório “Health at a Glance”, onde é explicado que Portugal é o país que mais forma médicos per capita. De acordo com os últimos dados disponíveis, e que datam de 2019, estamos à frente de Irlanda, Países Baixos ou Espanha.

A OCDE nota um “forte aumento no número de médicos graduados desde 2000”. Para a OCDE, isso “reflete um aumento no número de vagas nas universidades e na criação de novas escolas de medicina fora de Lisboa e Porto”. Portugal foi mesmo o país que mais cresceu neste ponto.

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Sobre a questão dos salários, a OCDE confirma um pior cenário para Portugal, com o nível de salários a degradar-se no período da Troika, degradação essa da qual ainda não recuperou, sendo mesmo o pior na classificação apresentada no relatório.

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