A proposta "irrecusável" de Montenegro é "suficiente para constranger o PS". Sousa Tavares e Santos Guerreiro ajudam a perceber o que se segue

CNN Portugal , DCT
3 out 2024, 21:44

Luís Montenegro garante que as mudanças aproximam-se dos ideais socialistas, mas Pedro Nuno Santos já tinha avisado: o PS não iria aceitar modulações. Mas manter o não pode causar danos no partido e até beneficiar a AD

Meia hora de reunião e uma contraproposta. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou um conjunto de mudanças na proposta de Orçamento do Estado para 2025 que crê que “vão ao encontro” das “preocupações do PS”, seja no que toca à habitação, às pensões e aos médicos no SNS. Mas também ao IRS Jovem e ao IRC, as principais medidas nesta discussão. A bola ficou do lado de Pedro Nuno Santos que, diz Miguel de Sousa Tavares, tem em mãos uma proposta “irrecusável” e que lhe poderá causar algumas dores de cabeça dentro do partido caso não a aceite. 

“Acho a proposta do Governo irrecusável. Dos dois, é o Governo quem mais cede, o programa do PSD é o que leva a maior machadada, sem dúvida”, diz o comentador da TVI, adiantando que “se ele [Pedro Nuno Santos] não aceita este acordo vai haver uma cisão dentro do PS”.

Também Pedro Santos Guerreiro, diretor-executivo da CNN Portugal (do mesmo grupo da TVI), considera que esta contraposta deixa o Partido Socialista numa posição frágil, não só porque o conjunto de mudanças apresentadas pelo primeiro-ministro "é suficiente para constranger o PS” , como também “dá um capital ao PSD para dizer, em caso de eleições, 'nós tentamos' [um acordo para a viabilização do Orçamento do Estado]”.

No entanto, Pedro Santos Guerreiro adianta que não é pelo facto de as novas propostas serem mais próximas do que o Partido Socialista defende que o ‘sim’ ao Orçamento será dado de imediato ou até será dado de todo.  “O PS fez um ultimato há uma semana, que não aceitava modelações. Se mantiver o ultimato, vai dizer que não, mas as três grandes mudanças que são aqui feitas são de grande aproximação ao Partido Socialista”, explica Santos Guerreiro.

Tanto Miguel Sousa Tavares como Pedro Santos Guerreiro reconhecem que o Governo foi quem mais cedeu neste braço-de-ferro. “O que agora a AD vem dizer é 'voltamos ao modelo do PS, rasgamos a nossa proposta da AD’”, diz o diretor-executivo da CNN Portugal. Sousa Tavares segue a mesma linha de pensamento: foi Luís Montenegro quem mais cedeu. “O principal do programa do PSD era a descida fiscal (...) A partir de agora é pura política, se o PS não aceita isto, o PS quer empurrar o PSD para os braços do Chega e isso seria notável”, diz, lembrando que este foi um dos cenários mais apontados por Pedro Nuno Santos durante a campanha eleitoral.

“Lembramos que Pedro Nuno Santos fez toda a campanha eleitoral ameaçando que o PSD se ia entregar nas mãos do Chega e quando Luís Montenegro disse ‘não é não’ - e tem-se mantido nessa posição inflexível -, nós vimos agora Pedro Nuno Santos a desejar ardemente o abraço entre a direita e a extrema-direita”.

O secretário-geral do Partido Socialista não falou ainda com a imprensa depois da reunião desta tarde com Luís Montenegro e irá apenas prestar declarações após uma reunião da comissão nacional do partido, que decorre esta noite.

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