Ao intervalo do Portugal-Inglaterra apareceu nos écrans gigantes do estádio a seguinte e enigmática mensagem: «Milena, amo-te. Queres casar comigo? O teu querido amigo Leo».
Pouco importa agora se o dito Leo era um «hacker» capaz de interferir com os conteúdos das mensagens no Jumbotron, ou um privilegiado elemento da organização em flagrante delito de abuso de poder. Os problemas que este anúncio levanta são de outra ordem: quem é Milena? O que fazia ela no estádio àquela hora? Estaria perdida no meio do público ou algures atrás de um balcão de fast-food? E, principalmente, por que razão estaria disposta a aceitar um pedido de casamento diante de 30 mil testemunhas, ainda para mais formulada por um «querido amigo», valha-nos Deus!?
A mensagem de Leo, totalmente desprovida da noção das realidades e das conveniências, é um bom exemplo dos danos colaterais provocados por uma dose de emoções puras e intensas como só o futebol ou a arte são capazes de produzir. Quase tão bom como o daquele jornalista português que terminou aquela eufórica montanha-russa emocional de 90 minutos com um desejo insensato de explicar a uma mulher-polícia com cara de queijo Gouda a subtil cerebralidade do futebol de Rui Costa.
É quando acontecem coisas destas que o futebol entra declaradamente no domínio da epopeia. Caros Leo e Milena: 10 milhões de portugueses com os corações a transbordar de ternura, pelo menos até ao próximo sábado, desejam-vos as maiores felicidades e estimam as vossas melhoras. Mas só quando o Europeu chegar ao fim.