«DRIBLE DA VACA» - Opinião de Bruno Andrade
Divergências de lado, porque há o momento certo para tudo, o dia de luto é para respeitar o ser humano que partiu e, especialmente, aqueles que choram o adeus do pai, do avô, do irmão, do companheiro, do amigo e, não menos importante, do ídolo.
Admito que sempre encarei com profunda estranheza e confusão um presidente de clube ser tão amado e reverenciado. Sempre tive para mim que as raras vénias no futebol deveriam ser exclusivamente para os principais intervenientes (leia-se jogadores e treinadores).
Pinto da Costa me fez enxergar diferente a paixão incomensurável por um dirigente. Isso porque não foi um dirigente qualquer. Longe disso. Foi alguém que colocou no mapa mundial uma instituição - com todo o respeito! - até então praticamente regional.
Foram 42 anos na presidência do clube que ultrapassou fronteiras para conquistar (mais de uma vez) a Europa e o mundo. Entre vários títulos e frustrações, entre acertos e erros, e foram muitos os erros também, não tardou a se tornar uma figura onipresente para todos os portistas.
São vários os (meus) olhares para o eterno presidente dos dragões. Há o olhar do brasileiro que viu do outro lado do Oceano Atlântico a equipe portuguesa mais impactante das últimas cinco décadas. Há o olhar do jornalista e comentarista em Portugal que sofreu com tamanha - e injustificável - guerra contra o tal "centralismo".
Há, acima de tudo, o olhar de quem respeita e compreende na perfeição a dor alheia. Hoje, mais do que nunca, percebo as lágrimas derramadas por causa de um personagem ímpar na história do futebol internacional. Multicampeão. Controverso.
Pensar no Futebol Clube do Porto é consequentemente pensar em Jorge Nuno Pinto da Costa.
*Bruno Andrade escreve a sua opinião em português do Brasil
