Lição: finais contra ingleses nunca estão (antecipadamente) ganhas

14 jul 2025, 23:07
Mundial de Clubes: Chelsea-PSG (EPA/CJ GUNTHER)

Visão Global - a opinião de André Pipa

O enfático tareão (3-0) do Chelsea ao Paris SG na final do Mundial de Clubes foi a enésima demonstração de uma verdade futebolística que os franceses deviam conhecer de ginjeira: finais contra ingleses nunca estão antecipadamente ganhas, por muito superior que pareça o outro finalista. Perdi a conta a finais ganhas por ‘underdog’ britânicos e esta foi apenas mais uma. Só não terminou 5-0 como a final da Champions porque o gigantesco Donnarumma surripiou dois golos cantados ao ladino (de lad) Liam Delap. 

Cole Jermaine Palmer (como o deixaste sair, Pep ?!?) bailou pelo relvado como Rudolf Nureyev e mostrou o que faz um ‘primo ballerino’ na matiné de gala, sobriamente protegido pelos dez mandamentos de Moisés Caicedo (não passarás x 10). Essa rápida e compacta gazua chamada Pedro Neto (três golaços na prova) foi tão só o melhor português no Mundial mericano – period. E o seu novo colega João Pedro, oh adulto traquina, o joker mais cintilante do novo campeão mundial. 

Mousquetaire Vitinha não deu bigodes a ninguém, João Neves foi infantilmente infantil e o felino Nuno Mendes… de pantera pouco teve. Ramos mal se viu e Luis Enrique (tss-tss, então…?) não esteve definitivamente à altura do evento. Não chegou a sair do bolso das calças do italiano Enzo Maresca, essa espécie de Guardiola da classe média que, a brincar a brincar, ganhou de goleada as duas finais internacionais que disputou em 2015: 4-1 ao Betis (Liga Conferência) e 3-0 ao campeão europeu nos arredores de Nova Iorque. Isto pouco depois de o compatriota Jannik Sinner ter tomado de assalto a catedral do ténis. 

Che domenica pazzesca, viva Itália!

Quanto à maior estrela do show, Donald Trump em versão vagamente alaranjada, mostrou o que faz dele o POTUS menos convencional da história da América quando se imiscuiu na foto-festa dos vencedores e de lá não arredou pé. Sejamos sinceros: descaramento nunca lhe faltou. Para a história das imagens virais, Donald Trump foi campeão do Mundo em 2025: he made Chelsea great again.

No rescaldo da final que a maioria antecipava ser um mero trâmite para a máquina de Luis Enrique, fica a certeza de que o PSG falhou estrepitosamente a cereja no topo de uma época sensacional. A meu ver, cometeu um pecado capital: subestimar a competitividade de uma equipa inglesa. E esta até se chamava Chelsea, senhora de um élan e de um currículo internacional infinitamente superior ao dos nouveau riches de Paris.

A soberba paga-se, amigos. Nunca se pode subestimar o fighting spirit de um pelotão futebolístico inglês.

Por isso, os operários-tornados-aristocratas do PSG foram rapidamente dominados e alvejados à queima-roupa pelos famintos warriors azuis. Quando deu por ela, o PSG já tinha levado três tiros na mouche - ou três baguetes na bouche, como preferirem. Três secos: uma diferença impossível de reverter numa final a não ser que nos chamemos Liverpool. E o PSG não se chama assim.

Antes de vos deixar a lista actualizada de todos os futebolistas portugueses que foram campeões mundiais, com uma vénia especial aos novos titulares Pedro Neto e Dario Essugo, deixem-me lembrar que este foi o 11.º título internacional (!!!) do Chelsea, que passa a ser a única equipa europeia com pelo menos dois triunfos em cada uma das cinco competições clássicas. A saber: Champions League (2012 e 2021); Taça das Taças (1971 e 1998); Liga Europa (2013 e 2019), Supertaça UEFA (1998 e 2021) e Mundial de Clubes (2012 e 2025).

Quite impressive…

Os 34 portugueses campeões mundiais:

2025 (Chelsea): Pedro Neto e Dario Essugo

2023 (Manchester City): Rúben Dias, Matheus Nunes e Bernardo Silva

2020 (Bayern): Tiago Dantas

2017 (Real Madrid): Cristiano Ronaldo

2016 (Real Madrid): Cristiano Ronaldo, Pepe, Fábio Coentrão

2014 (Real Madrid): Cristiano Ronaldo, Pepe, Fábio Coentrão

2008 (Man United): Cristiano Ronaldo, Nani

2004 (FC Porto): Vítor Baía, Nuno Espírito Santo, Pedro Emanuel, Jorge Costa, Ricardo Costa, Pepe, José Bosingwa, César Peixoto, Costinha, Maniche, Hélder Postiga, Ricardo Quaresma

1997 (B. Dortmund): Paulo Sousa

1987 (FC Porto): Zé Beto, João Pinto, Lima Pereira, Augusto Inácio, Festas, Jaime Magalhães, André, António Sousa, Rui Barros, Quim, António Frasco, Fernando Gomes

Sem qualquer surpresa, Cristiano Ronaldo é o português com melhor currículo em Mundiais de Clube: conquistou quatro títulos, é o recordista absoluto de golos (7) da competição e, com Pelé, o único que assinou um ‘hat-trick’ numa final.

Relacionados

Opinião

Mais Opinião