Saudades de 1500

24 out 2022, 15:21
Scolari

«DRIBLE DA VACA» - Opinião

Depois de uma madrugada mergulhando profundamente em alguma obra de Paulo Coelho ou Chico Buarque, acordar logo pela manhã para saborear um café preto forte e uma tapioca. Depois, adoçar o começo do dia com uma manga carnuda e suculenta.

Para evitar choros e estresse matinal, colocar o filho mais novo para assistir atentamente aos vídeos de Luccas Neto, Felipe Neto e Casimiro, enquanto organiza o que consegue da casa erguida com o suor da mão de obra barata.

No caminho para o trabalho, fazer um zapping pelas rádios. Soltar a voz, ainda que de forma tímida e desafinada, ao som de Anitta, Luan Santana, Marília Mendonça, Seu Jorge, Gabriel O Pensador, Ana Carolina, entre outros.

Entre um compromisso e outro, encontrar sempre que possível uma pausa mental para gargalhar com as sátiras do Porta dos Fundos e, quem sabe, pesquisar quando vai ser a próxima turnê internacional de Fabio Porchat.

Na hora do almoço, aquela dúvida cruel: uma carregada feijoada com farofa ou um leve cuscuz nordestino? Independentemente da escolha, um prato que venha acompanhado com suco de goiaba.

Durante a tarde intensa de tarefas, com direito a uma escapadinha de Uber para ir ao mercado, discutir com os colegas o impacto de Otto Glória, Luiz Felipe Scolari, Deco, Ricardo Gomes, Aloísio, Valdo, Jardel, Luisão, Liedson e Jonas no futebol português.

No regresso ao lar, mais cedo faxinado por 20 e tantos euros, analisar a pré-lista de 55 convocados de Fernando Santos para o Mundial no Qatar, em especial para três nomes: Pepe, Matheus Nunes e Otávio. Em seguida, com calma, relaxar ao ver uma novela da Globo.

Sem muita fome para jantar, mas com apetite para algo doce para fechar a noite. Abrir então o frigorífico e sacar um pote de açaí. Se houver paciência, fatiar uma banana prata e incrementar com um pouco de granola.

Filhos na cama. Banho tomado. Pijama vestido. Dentes escovados. Silêncio total. Momento perfeito para ir às redes sociais e destilar ódio contra um jornalista brasileiro em Portugal que, por opção, fala e escreve na língua materna.

* Bruno Andrade escreve a sua opinião em Português do Brasil

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