Boi de piranha

6 nov, 09:52
Presidente do Sporting, Frederico Varandas, e o presidente do Benfica, Rui Costa, na conferência Record Summit, Lisboa (FILIPE AMORIM/LUSA)

«DRIBLE DA VACA» - Opinião de Bruno Andrade

O ser humano é sedento por uma boa história. Uma teoria bem construída, então, alimenta durante dias, semanas ou até mesmo meses e anos o nosso desejo desenfreado pelo desconhecido.

Os fatos, por si só, são quase sempre aborrecidos. Mesmo quando nos instigam e geram interesse, rapidamente caem no esquecimento ou perdem espaço para uma especulação qualquer. A conspiração aguça a mente.

Fábio Veríssimo acusou o FC Porto de, no intervalo do jogo contra o Sp. Braga, no Dragão, colocar imagens em loop de um lance arbitrado por ele minutos antes. Para piorar, (supostamente) não havia como desligar a televisão.

O clube azul e branco, por sua vez, não desmentiu. Primeiramente, emitiu um comunicado com extensos oitos parágrafos, sem nenhuma menção ao caso. Preferiu o contra-ataque: fez acusações contra o mesmo árbitro. 

No dia seguinte, o próprio presidente portista André Villas-Boas teve a oportunidade de abordar a mais nova (e vergonhosa) polêmica no futebol português. Não só chutou para o lado, como ainda ofereceu uma deliciosa distração aos jornalistas.

«Há muito tempo que o Sporting tem o presidente do Benfica no bolso», disparou o portista, que, na semana anterior, já havia falado em «santas alianças na segunda circular que visam enfraquecer» os dragões.

No Brasil, há uma curiosa expressão popular para a estratégia montada por Villas-Boas: boi de piranha. Resumidamente, é o sacrifício de um indivíduo na tentativa de livrar outro indivíduo (ou organização) de alguma dificuldade.

A definição tem como origem os criadores de gado. Ao atravessar um rio infestado de piranhas, escolhem um boi velho ou doente para atrair os peixes carnívoros, enquanto os outros fazem a travessia sem perigo iminente.

Dito e feito. Neste momento, o que aconteceu (ou não) com Fábio Veríssimo praticamente passou para segundo plano, seja nas redes sociais ou, sobretudo, na Comunicação Social. O assunto do momento é o que acontece (ou não) na capital do país.

*Bruno Andrade escreve a sua opinião em português do Brasil

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