MUNDIAL 2026

Saiba tudo aqui
Mais sobre o Mundial 2026

Os clichés e o tamanho da perna

30 abr, 23:43
Liga: Rui Borges no Sporting-Tondela (ANTONIO COTRIM/LUSA)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

DESCE: o futebol é um desporto de paixões, mas também de chavões. De clichés e lugares-comuns. Um deles diz, repetidamente, que «o futebol é o momento». E o momento é difícil para Rui Borges.

Subitamente, o Sporting parece exaurido, vazio. Ainda há duas semanas se apresentava confiante, resoluto, inflado de ambição, capacidade e garra. Abril foi cruel para os leões e para Rui Borges. Que renova contrato no momento mais difícil do seu trajeto em Alvalade.

O futebol é um desporto de paixões, mas também de chavões. De clichés e lugares-comuns. Um deles diz, repetidamente, que «o futebol é o momento». E o momento é difícil para Rui Borges.

Depois de superar as desconfianças, conquistou uma dobradinha que abriu caminho para o tema da eventual renovação de contrato. Às sucessivas perguntas sobre o tema, Rui Borges foi repetindo que sentia «confiança desde o primeiro dia» no clube e que não precisava de um novo contrato.

Faz sentido. Um treinador depende de resultados – eis outro chavão do futebol – e um contrato alargado não é garantia, por si só, de estabilidade ou longevidade no cargo.

Fazendo justiça ao técnico do Sporting, a época dos leões foi muito boa – até abril.

Está na final da Taça de Portugal (como grande favorito) parecia capaz de lutar pelo «Tri» (e lembrava-se o passado recente de Farioli…) fez a melhor Liga dos Campeões da história do clube (e uma das melhores das equipas portuguesas dos tempos mais recentes). E ficou até a ideia de que poderia ter feito mais na «Champions».

Esse pode ter sido o problema: a forma como o Sporting foi afastado pelo Arsenal deixou uma frustração que marcou um antes e um depois na equipa. O Sporting ficou sem energia, sem confiança, sem soluções. De repente, parece uma equipa tímida e não temível.

A Taça, provavelmente, não lhe escapa, mas, se acabar a Liga em terceiro, depois de deixar fugir por entre os dedos a possibilidade de lutar por outros objetivos, pode saber a pouco.

O Sporting não venceu esta época os rivais diretos (os jogos onde se ganham títulos) e acaba de ceder dois empates contra os últimos classificados (os jogos onde se perdem títulos – que o diga o Benfica, que ainda não perdeu na Liga, ganhou em Alvalade e, ainda assim, pode ver o FC Porto ser campeão já este sábado). Esta categorização de jogos é mais uma daquelas regras não escritas que fazem a verdade do futebol.

Onde falhou Rui Borges? Ao não fazer uma rotação mais profunda do plantel entre jogos? Seria difícil, com tantas lesões. Mas não é no futebol que se diz que «só faz falta quem está?» - ai os chavões… Ao ousar sonhar ganhar tudo? Mas o que seria o futebol sem ambição? Sem sonhos?

A verdade é que correu mal. O Sporting terá tentado dar, não um passo, mas um salto maior do que a perna (mais clichés…); lutou acima do seu peso e saiu esmurrado. Agora parece ansioso pelo toque do gongo para acabar a luta. Pelo menos, até à Taça.

A renovação de contrato com Rui Borges foi conhecida entre os dois empates com os últimos classificados do campeonato. Depois do jogo com o Tondela (daqueles incríveis últimos quatro minutos) pode questionar-se o momento para esta renovação.

Será um voto de confiança e uma mensagem de estabilidade. Um sinal de que Rui Borges é o homem do projeto, numa altura em que os adeptos desconfiam e que os críticos despertam.

Rui Borges precisa disso. Mas precisa ainda mais de vitórias. Só elas curam os maus momentos.

Eis outro lugar-comum do futebol.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Sporting

Mais Sporting