A esperança é a última coisa a morrer, mas não será fácil continuar a acreditar na manutenção quando se termina a primeira volta com apenas quatro pontos.
Não será necessariamente uma questão de «o que nasce torto nunca se endireita», mas a vida do AFS tem sido atribulada.
A forma como surgiu, em 2023, com a «mudança» do Vilafranquense para a Vila das Aves, causou muita discussão.
Ainda assim, na primeira época o projeto AFS garantiu a subida ao escalão principal, no qual se manteve na época passada, com muitas dificuldades.
Pelo meio, trocou várias vezes de treinador, de Daniel Ramos a José Mota – que «sobreviveu» no play-off e iniciou esta época, apenas para ser o primeiro dos treinadores a serem despedidos ao longo dos meses.
A SAD tentou fazer um trabalho de aproximação à população local, conquistar os corações dos adeptos do antigo Desportivo da Aves – falido e até com a sua jóia da coroa, a Taça de Portugal, penhorada – ao mesmo tempo que um refundado Aves 1930 jogava nos distritais.
Na verdade, um «filme» já visto noutros emblemas com história, numa relação com um equilíbrio difícil.
O AFS (desde logo foi difícil explicar o nome da equipa; AVS, AFS, Aves… ) bem esclareceu que não tem qualquer ligação associativa com o Desportivo das Aves; apenas usa as suas instalações desportivas, nas quais, de resto, investiu bastante.
Investiu também na imagem da equipa. Procurou «pedigree». A contratação do mediático Guillermo Ochoa (carismático e brilhante nos Mundiais; tradicionalmente discreto entre eles) serve de exemplo.
A verdade é que a linha desportiva, como tantas vezes já sucedeu em casos de investimento estrangeiro em pequenos clubes, tem sido equívoca. Muitas entradas, muitas saídas, poucas certezas, demasiadas dúvidas. Nenhuma vitória. Pouquíssimos pontos.
Não há memória de uma equipa com quatro pontos a meio do campeonato conseguir evitar a descida de divisão.
Há, isso sim, lembrança de outros projetos que entraram em queda livre com uma descida de divisão. 17 jornadas são 51 pontos possíveis. O AFS evitou a descida com metade disso (27) na época passada. Conseguirá inverter o rumo?