É o oitavo advogado, entre escolhidos e oficiosos, em 12 anos de processo
Foi atribuído um novo advogado oficioso a José Sócrates para a Operação Marquês. A Ordem dos Advogados, que foi instada pela juíza a indicar novo representante depois da renúncia de Sara Leitão Moreira, nomeou Marco António Amaro para este ofício.
O advogado tem agora um prazo de 10 dias para consultar o processo, o tempo dado pela juíza para tal, ainda que o antigo primeiro-ministro tenha pedido cerca de quatro meses.
O reinício do julgamento está marcado para dia 17 de março, mas José Sócrates tem até dia 18 para escolher um advogado contratado, se o quiser fazer, como fez das outras vezes com José Ramos, Inês Louro ou Ana Velho.
Entre os advogados que escolheu, do malogrado João Araújo até Sara Leitão Moreira, passando por Pedro Delille e José Preto, José Sócrates vai para o oitavo advogado em 12 anos de um longo processo.
Em reação à notícia, o antigo primeiro-ministro garantiu que não sabia, lamentando só ter tido conhecimento através da comunicação social. "Extraordinário país este em que um cidadão fica a saber quem é o seu advogado pelas televisões, antes mesmo de ser notificado pelo tribunal e lhe ser dado o prazo legal para constituir novo advogado. Subimos então a um novo patamar na degradação do estado de direito - agora é a própria Ordem dos Advogados que sanciona uma condição de um prazo de dez dias como tempo necessário de preparação da defesa", reagiu, através de uma nota a que a CNN Portugal teve acesso.
"Trezentas mil folhas, duzentos volumes, cento e vinte e seis apensos, duzentas e catorze buscas, quatrocentas horas de escutas - e dez dias para preparar a defesa.
O prestimoso bastonário dos advogados já tinha apoiado a solução de uma defensora oficiosa que nem sequer se deu ao trabalho de levantar o processo na secretaria do tribunal. Também já tinha reconhecido que dez dias não era suficiente para preparara a defesa, embora, como está bem de ver, a concordância lógica não seja o seu forte. Agora, obedientemente, indicou um substituto, cumprindo, assim, com distinção, o seu papel de primeiro defensor dos direitos e das garantias individuais", pode ainda ler-se.