Defesa do antigo primeiro-ministro quer ainda saber por que razão as escutas se mantêm no processo se o Supremo Tribunal de Justiça afirmou não serem relevantes para a investigação
A defesa de António Costa exigiu, esta quarta-feira, que o Ministério Público explique o tratamento que deu às escutas telefónicas reveladas esta quarta-feira pela revista Sábado, no âmbito da Operação Influencer, e reitera que quando o processo foi tornado público pela Procuradoria-Geral da República nada havia no caso a respeito do antigo primeiro-ministro.
Em comunicado enviado à CNN Portugal, os advogados questionam o porquê do conteúdo do processo continuar a ser divulgado em público sem que os principais interessados tenham acesso formal ao caso.
A defesa quer ainda saber por que razão as escutas se mantêm no processo se o Supremo Tribunal de Justiça afirmou não serem relevantes para a investigação.
Em reação à notícia da Sábado, a equipa jurídica de Costa cita a posição do então presidente do Supremo para acusar o Ministério Público de querer "escancarar a ação governativa e os contactos estabelecidos pelo primeiro-ministro e o Governo".
Tendo em conta o segredo a que estão sujeitas estas conversas intercetadas pelas autoridades, a defesa quer ainda saber quem as ouviu e qual a certificação que tinham para esse efeito.
A 7 de novembro de 2023, foram detidas e posteriormente libertadas no âmbito da Operação Influencer cinco pessoas, incluindo o então chefe de gabinete de Costa, Vítor Escária.
Há suspeitas de crime na construção de um centro de dados em Sines, distrito de Setúbal, na exploração de lítio em Montalegre e Boticas, ambas no distrito de Vila Real, e na produção de energia a partir de hidrogénio, também em Sines.
O caso levou à queda do Governo de maioria absoluta do agora presidente do Conselho Europeu.