Operação Hydra: agente da PSP entre os quatro arguidos sujeitos a pagamento de caução

Agência Lusa , CE
2 jul, 14:45
Justiça

O valor das cauções variam entre os 7.000 e os 300.000 euros

Quatro arguidos no processo operação Hydra, incluindo um agente da PSP, ficam sujeitos ao pagamento de cauções entre os sete mil euros, no caso do polícia, e os 300 mil euros, anunciou a PSP em comunicado.

De acordo com a nota da Polícia de Segurança Pública (PSP), este sábado divulgada, depois de ouvidos em primeiro interrogatório judicial no âmbito da operação que visa centros de inspeção automóvel foram decretadas como medidas de coação a prestação de caução a quatro suspeitos, nos valores de 300 mil; 150 mil; 10 mil e sete mil euros, sendo que o valor mais baixo foi aplicado ao agente da PSP detido.

Uma atualização na quarta-feira relativa ao número de detenções no âmbito da operação Hydra colocou em 38 o total de detidos, entre os quais um agente da PSP, “suspeito de atuar como angariador de clientes para o esquema fraudulento”, dois administradores de facto ou de direito de entidades gestoras de centros de inspeção técnica de veículos (CITV), dois funcionários do Instituto de Mobilidade e dos Transportes (IMT) e 33 inspetores em vários centros.

Segundo o comunicado da PSP, aos dois funcionários do IMT e aos inspetores dos centros “foram aplicadas as medidas de coação, respetivamente, de suspensão de funções públicas e suspensão do exercício de funções”.

No âmbito da operação foram ainda apreendidos 4.311,51 euros em numerário, 41 telemóveis e dados informáticos considerados “processualmente relevantes” para a investigação.

Na terça-feira, a PSP deu conta da realização de 50 buscas domiciliárias e não domiciliárias nos concelhos de Braga, Vila Verde, Vila Nova de Famalicão, Guimarães, Vizela, Fafe, Amarante, Lousada, Gondomar, Porto, Matosinhos, Valongo, Loures, Lisboa, Agualva-Cacém, Azambuja, Vila Franca de Xira, Seixal, Palmela, Setúbal, Silves, Lagoa e Portimão.

Nessa nota, a PSP adiantava que tinham sido realizadas buscas a um escritório de advogados, ao Instituto de Mobilidade e dos Transportes (IMT) e a sete centros de inspeção técnica de veículos (CITV).

Aquela força de segurança referia que a operação policial decorreu de uma investigação iniciada em 2017, estando em causa crimes de corrupção e falsificação de documento agravada relacionada com a atividade de inspeção periódica de veículos.

Também segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público (MP), “encontra-se indiciado que, através desta atividade, foram implementadas práticas consistentes na aprovação de veículos sem a anotação das deficiências que tinham ou sem a adoção dos procedimentos de inspeção legalmente obrigatórios, tendo em vista atrair clientes e, em consequência, aumentar o número de inspeções e as correspondentes receitas”.

O inquérito encontra-se em segredo de justiça.

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