Operação no Rio de Janeiro investiga ligação do PCC e do CV à Al-Qaeda

CNN Brasil , Vitor Bonets (colaboração para a CNN Brasil) e Camille Barbosa
15 jul, 15:19
Operação no Rio de Janeiro. Foto GAECO/MPRJ
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Organização criminosa que funcionava como "prestadora de serviços" do crime teria movimentado mais de R$ 100 milhões com o dinheiro do tráfico de drogas

A “Operação Hawala”, que decorreu na manhã desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, Brasil, investiga uma possível ligação entre as principais facções criminosas do Brasil, como PCC (Primeiro Comando Capital), CV (Comando Vermelho) e TCP (Terceiro Comando Puro), com um dos maiores grupos terroristas do mundo, a Al-Qaeda.

Uma organização criminosa que funcionava como "prestadora de serviços" do crime teria movimentado mais de 100 milhões de reais (17,2 milhões de euros) com o dinheiro do tráfico de drogas.

A ação, coordenada pelo Ministério Público e a Polícia Civil do estado, cumpriu dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão. As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e na cidade de Foz do Iguaçu.

Entre os principais alvos do Ministério Público (MP) está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, apontada como uma das operadoras financeiras centrais, tendo movimentado dezenas de milhões de reais em faturações incompatíveis com a sua capacidade declarada. 

Ao todo, o MP denunciou 22 pessoas à Justiça. Até ao momento, foram detidas. São elas: Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Bárbara Oliveira Rosa, Samuel Morais da Hora, Yago Jorge de Souza Daniel, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Lucas Gabriel Vidal, Ali Alfakih, Kassem Zayoun, Yasser Zayoun e Reda Zayoun.

Ligação com a Al-Qaeda

Um dos pontos centrais da investigação é a identificação de uma possível conexão financeira internacional com a organização terrorista Al-Qaeda.

Os agentes descobriram uma relação comercial entra uma empresa ligada aos suspeitos e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), do Departamento do Tesouro dos EUA, por integrar uma estrutura financeira do grupo terrorista. 

Além disso, as autoridades identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa, entre eles os irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun. Segundo as investigações, o sistema operaria na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina). 

A área é historicamente monitorizada por organismos internacionais como um polo de operações logísticas e financeiras de grupos terroristas que se aliam a facções brasileiras para arrecadar recursos via lavagem de dinheiro e tráfico.

Os investigadores consideram que o possível elo com o terrorismo internacional será o foco das próximas etapas, com a análise dos materiais apreendidos para entender a profundidade e a frequência das transações financeiras.

Como funcionava o grupo

A organização criminosa usava uma complexa engenharia para ocultar a origem ilícita do dinheiro, que vinha do tráfico de drogas e do comércio de produtos falsificados.

O esquema envolvia, principalmente, o uso de dezenas de empresas de fachada e testas-de-ferro, depósitos fracionados em espécie (dinheiro) e tranferências sucessivas entre pessoas jurídicas, e a atuação de um contabilista. O homem seria responsável por dar aparência de regularidade às empresas e omitir comunicações ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens dos envolvidos.

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