Controlo aéreo português autorizou bombardeiros norte-americanos a abastecer nas Lajes antes de ataque ao Irão

2 mar, 11:15
Festejos após a operação militar dos Estados Unidos no Irão (Jill Connelly/AP)

se destina a

Registo de comunicações indica que Portugal foi um ponto logístico na operação de longo alcance dos Estados Unidos

Quatro bombardeiros estratégicos norte-americanos terão reabastecido na Base das Lajes antes de seguirem para ataques a alvos iranianos na segunda noite da operação militar norte-americana "Fúria Épica".

Os primeiros indícios surgiram nas comunicações registadas ao início da manhã de domingo, quando um grupo de quatro aeronaves com o indicativo PETRO41 - associado a bombardeiros Northrop Grumman B-2 Spirit - contactou o controlo de tráfego aéreo de Sevilha ao sobrevoar o Estreito de Gibraltar. Este movimento já tinha sido observado em junho do ano passado, na Operação "Martelo da Meia-Noite", quando os EUA destruíram três infraestruturas nucleares iranianas num ataque relâmpago que durou menos de meia hora.

Pouco depois, as aeronaves voltaram a estabelecer comunicações, desta vez com o controlo de tráfego aéreo de Santa Maria, nos Açores, cerca de vinte minutos antes do reabastecimento em voo. 

Inicialmente, o controlador atribuiu à formação um bloco de altitudes entre FL220 e FL240 (22 mil a 24 mil pés). No entanto, o líder da formação pediu um intervalo maior, entre FL220 e FL270, altitude típica para operações de reabastecimento em voo. 

Que tipo de bombardeiro é este e para que serve? 

O B-2 Spirit é um dos aviões militares mais avançados do mundo. Desenvolvido para missões de longo alcance e elevada precisão, distingue-se pelo formato de "asa voadora" e pela tecnologia de furtividade, que reduz drasticamente a sua deteção por radar.

São aeronaves subsónicas - voam a velocidades inferiores à do som - mas compensam com alcance e capacidade de operar praticamente sem serem detetadas. Partem normalmente da base aérea de Whiteman, no estado norte-americano do Missouri, e realizam missões intercontinentais.

Este é o aspeto de um bombardeiro B-2. (Eric Lee/Getty Images)

Em cruzeiro, voam normalmente acima de FL400 (cerca de 40 mil pés), bem acima de um voo comercial comum. Contudo, durante o reabastecimento em voo precisam de descer para níveis mais baixos - geralmente entre FL200 e FL290 - para se encontrarem com aviões-tanque como o Boeing KC-46 Pegasus, que dão apoio a estas missões de longo alcance. 

À CNN Portugal, o comandante José Correia Guedes explica que a logística destas operações segue um padrão conhecido: os bombardeiros descolam dos Estados Unidos, recebem o primeiro reabastecimento na região dos Açores, frequentemente com apoio a partir da Base das Lajes e realizam novo reabastecimento durante a travessia. A viagem de ida e volta até ao Médio Oriente dura cerca de 36 horas.

#OperationEpicFury #FreeIran
"OPERATION EPIC FURY" BOMBER MISSION

At last, I can confirm that overnight a flight of 4 B-2A "Spirit" bombers flew non-stop from the United States to Iran to attack targets belonging to the regime.

 

I am releasing this information now as the bombers… pic.twitter.com/5mmiU4QXl4

 

— DefenceGeek 🇬🇧 (@DefenceGeek) March 1, 2026

Os B-2 são utilizados sobretudo para atingir infraestruturas fortemente protegidas, como bases de mísseis ou bunkers militares e podem transportar uma carga útil superior a cerca de 18 mil quilos. Entre o armamento que podem transportar está a GBU-57 Massive Ordnance Penetrator, uma bomba de grande dimensão concebida para perfurar bunkers com até 60 metros de concreto.

Além deste armamento, estas aeronaves podem lançar bombas guiadas de elevada precisão usadas para atingir instalações militares subterrâneas e outros alvos estratégicos.

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