"Possível influência" contra a vacina. Juízes revelam porque Novak Djokovic foi deportado da Austrália

CNN , Hilary Whiteman
21 jan, 20:00
Open da Austrália: novela Djokovic chega ao fim. Tenista embarca em voo rumo a Belgrado

Os três juízes que rejeitaram de forma unânime o pedido de Novak Djokovic para ficar na Austrália de forma a competir no Open da Austrália revelaram as razões da sua decisão.

Num comunicado escrito, os juízes disseram que não era irracional o Ministro da Imigração, Alex Hawke, deportar Djokovic devido à preocupação de que a estrela sérvia não vacinada poderia constituir um risco para a saúde pública e para a ordem.

A decisão diz que cabia ao ministro inferir se a presença de Djokovic poderia encorajar protestos antivacinas, aumentando assim a propagação da covid-19.

Os juízes salientaram igualmente que a decisão do ministro incluía também a possível influência da estrela sobre pessoas hesitantes quanto a tomar ou não a vacina.

"A possível influência sobre o segundo grupo advém do bom senso e experiência humana: uma icónica estrela de ténis de renome mundial poderá influenciar pessoas de todas as idades, jovens ou idosas, mas talvez especialmente os mais jovens e impressionáveis, que quererão seguir o seu exemplo. Isto não é fantasioso; não carece de provas”, dizia a decisão.

A explicação põe fim a um dos episódios mais polémicos da história do Open da Austrália.

O tenista número 1 do mundo foi obrigado a deixar o país na véspera da competição, após o tribunal não ter encontrado ilegitimidade na decisão do ministro da imigração de cancelar o visto do tenista.

Foi a segunda vez que Djokovic viu o visto ser cancelado – a primeira vez foi apenas horas depois de chegar à Austrália, a 5 de janeiro, quando agentes da Polícia Fronteiriça Australiana (ABF) rejeitaram a sua alegada isenção quanto às regras que ditam que todos os recém-chegados devem estar totalmente vacinados.

Djokovic disse que o facto de já ter tido covid o isentava, mas, de acordo com as regras federais, isso não é suficiente e Djokovic ficou detido num centro de imigração.

A saga do visto australiano de Novak Djokovic

O caso foi para tribunal e um único juiz considerou a decisão “ilógica” porque não foi dado tempo suficiente ao tenista para consultar os seus advogados. Djokovic foi libertado e retomou os treinos em Melbourne Park, na esperança de conseguir o seu 21º título do Grand Slam.

Porém, dias depois, o governo interveio e voltou a cancelar o visto do tenista, afirmando que o jogador não vacinado era uma ameaça para a saúde pública e para a ordem. Houve um recurso para um tribunal superior e os três juízes reuniram-se no passado domingo.

A equipa legal de Djokovic não contestou os méritos da decisão do ministro, alegando apenas que ele tinha cometido um erro jurisdicional no âmbito da lei da migração do país.

No domingo, os juízes decidiram que não tinha havido qualquer erro e Djokovic aceitou deixar o país.

Num comunicado, o tenista disse estar “desapontado” com a decisão, mas que respeitava o veredicto do tribunal. Nessa mesma noite, Djokovic viajou de Melbourne para a Sérvia, onde foi recebido como um herói.

A primeira-ministra Sérvia, Ana Brnabic, disse que o tratamento australiano da estrela foi “escandaloso”. Brnabic disse à CNN na quarta-feira que não sabia porque é que Djokovic não estava vacinado, mas acrescentou que não acreditava que ele fosse antivacinas.

"Ele apoia a vacinação de quem quer ser vacinado, portanto, não o vejo como sendo antivacinas," disse Ana Brnabic.

Num comunicado pouco depois da decisão de domingo, a família de Djokovic disse que a decisão foi política.

"Não se tratou apenas de uma questão desportiva e do primeiro grand slam da época - que é dominado por Novak há uma década - mas política também, e os interesses políticos sobrepuseram-se ao desporto," pode ler-se no comunicado.

Segundo a lei australiana, Djokovic pode ser proibido de entrar no país por três anos, embora a Ministra dos Assuntos Internos, Karen Andrews, não excluiu uma isenção. "Qualquer pedido será avaliado segundo os seus méritos”, disse Andrews no início da semana.

Na terça-feira, o Tennis Australia disse lamentar que o conflito do visto tenha distraído os tenistas no torneio.

"Lamentamos profundamente o impacto que isto teve em todos os jogadores," pode ler-se no comunicado. "Há lições a aprender e avaliaremos todos os aspetos da nossa preparação e implementação da informação do planeamento, como fazemos todos os anos. Esse processo começa sempre assim que os campeões do Open da Austrália erguem os seus troféus.”

O Grand Slam termina a 31 de janeiro.

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