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Vem aí mais uma onda de calor no final de julho. E a primeira quinzena de agosto vai ser quente

18 jul 2025, 15:00
Calor (AP)

Previsões do IPMA apontam para tempo quente nas duas primeiras semanas de agosto. Segunda quinzena poderá ser mais tropical, com chuva e trovoadas

O fim de semana espera-se “mais fresco e com temperaturas um pouco abaixo da média para a altura do ano”, mas nada tema, o calor regressa brevemente e se está ansioso por agosto temos boas notícias, pelo menos para a primeira quinzena. 

As temperaturas altas regressam no final do mês com previsão de uma onda de calor que se poderá estender até ao início de agosto. Ainda que “a previsão feita para mais de dez dias tenha um grau de fiabilidade muito curto” e que “consegue apenas colmatar algumas tendências”, como explica à CNN Portugal o climatologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Pedro Sousa,  “à partida parece um sinal estabelecido” de que “o final do mês de julho deverá ser quente”. 

“De momento, olhando para os produtos numéricos que temos, parece ser um episódio relativamente quente, com temperaturas no interior e em muitas regiões acima dos 35 graus e, eventualmente, em alguns locais até a aproximar-se ou superar os 40 graus. Portanto, um episódio de tempo quente típico do pico do verão, digamos assim”, sublinha Pedro Sousa, que acrescenta que ainda não é possível definir com exatidão o quão extremo poderá ser esse episódio de calor e até quando se irá prolongar.

Ainda assim, os termómetros podem voltar a atingir temperaturas perto dos 40 graus, principalmente nas regiões que costumam ser mais afetadas pelas altas temperaturas, como é o caso do interior do país, em especial no Alentejo, como também as zonas do Vale do Tejo, Vale do Guadiana e Vale do Douro, que “são as zonas, por norma, mais quentes, seja em que situação for”.

Segundo aquilo que apontam as previsões, e como refere Pedro Sousa, as duas primeiras semanas de agosto deverão ser quentes. “Olhando para os modelos estatísticos de previsão semanal, todos eles dão tendência para uma temperatura ligeiramente acima da média”. No entanto, o meteorologista deixa a ressalva de que estamos a falar “da comparação das temperaturas previstas com a média climatológica dos últimos 30 anos”, pelo que não é difícil prever este aumento, “porque temos uma tendência de um período cada vez mais quente”.

Relativamente à precipitação para esse mesmo período, segundo o especialista, espera-se que esta não seja muito significativa. “Existe um sinal de precipitação um pouco abaixo da média na região norte.”

O meteorologista do IPMA indica ainda que até à data os dados mostram que o padrão típico de verão se deverá manter e que irá haver “certamente algumas oscilações de temperatura e uma probabilidade razoável de que podemos ter alguns picos de calor, como temos tido nas últimas semanas, alternados com períodos um pouco mais frescos e com mais nebulosidade e até alguma precipitação no litoral”.

Agosto quente e tropical

Também o climatologista Mário Marques antecipa tempo quente para a primeira quinzena de agosto, especialmente a primeira semana, com o resto do mês mais tropical, com a presença de trovoadas, que são esperadas mais no final dos dias devido a pressões de origem térmica. Segundo o especialista, deverá haver “até um dia ou outro com intrusões de ar mais fresco, o que permite termos alguma precipitação, sobretudo no noroeste peninsular”.

“Em termos gerais, será um agosto, em termos de precipitação, na média ou ligeiramente acima da média. Isto porque bastará três ou quatro dias de chuva, que já estará na média, sobretudo a norte, e no sul bastará chover dois, que já está acima da média”, refere Mário Marques, que não espera grandes ondas de calor a não ser no início do mês.

Estas previsões são calculadas, conforme explica Mário Marques, devido à presença do anticiclone dos Açores, que estará  “estendido em crista até ao Golfo da Biscaia ou até o Golfo de Cádis, o que poderá influenciar o estado do tempo”. Isso, em conjunto com as “línguas de ar quente poderá produzir como consequência depressões de origem térmica e, daí, termos essa maior probabilidade de dias com aguaceiros ou trovoadas”. 

Na segunda metade do mês de agosto, a retração do anticiclone dos Açores levará a que num dia ou outro haja “fluxos do noroeste, eventualmente com alguma precipitação, mas também efémera”. 

O climatologista conclui que “será mais uma maior imposição do anticiclone dos Açores na sua posição mais normal para a altura do ano, mas que também permite essas pequenas intrusões, quer de ar quente, quer de ar mais fresco” e que será um contexto geral mais quente por isso mesmo. 

No último mês duas ondas de calor afetaram o território nacional, tendo os termómetros chegado perto dos 50 graus em alguns locais. A temperatura média do mar também subiu, tendo-se registado esta semana uma “onda de calor marinha”.

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