Onda de calor chega a Portugal depois de causar 1.300 mortes na Europa. Quando é, como é e quais as recomendações: saiba tudo

António Guimarães , com Lusa
30 jun, 21:56
Calor em Portugal (LUSA)
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Espere máximas de 44 graus e mínimas de... 24. Tudo porque há dois fenómenos a juntarem-se e agir em Portugal por mais de uma semana

Quase toda a Europa sofre e derrete há semanas debaixo de um intenso calor que tem quebrado todos os recordes para o mês de junho e, em alguns casos, até recordes absolutos em países como França, Alemanha ou Reino Unido, causando a morte a pelo menos 1.300 pessoas no espaço de pouco mais de uma semana.

Portugal foi escapando à onda de calor, mas a sorte acabou. Já a partir desta quarta-feira os distritos de Beja, Castelo Branco, Évora e Portalegre entram em aviso laranja por causa do calor, alerta esse que se vai estender a todo o país de forma gradual.

De resto, os outros 14 distritos também vão estar em aviso, mas amarelo, menos grave, numa onda de calor que se deve estender para lá de uma semana, prevendo-se que fique entre oito a dez dias.

A partir de quinta-feira, logo às 00:00, esse aviso estende-se a todo o Algarve e Alentejo, chegando ainda a Leiria, Lisboa e Santarém.

Já na sexta-feira entram no segundo grau de aviso os restantes distritos, pintando de laranja um mapa que vai sofrer com o calor. Os termómetros devem mesmo bater nos 40 graus em várias zonas do país já na quinta-feira, incluindo em Lisboa, sendo que só o distrito de Aveiro estará abaixo dos 32 graus Celsius, mas, ainda assim, dentro dos 30 graus.

Máximas de 44, mínimas de 24

Tudo indica que nem de noite vamos poder ter descanso do calor. A previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) aponta que o tempo quente e seco deve durar, pelo menos, uma semana, com temperaturas máximas que podem chegar aos 44 graus e mínimas entre os 24 e os 28 graus.

Num comunicado, o IPMA diz que se prevê "um longo período com tempo quente e seco, com a temperatura máxima a atingir valores entre 35 e 41 graus na generalidade do território, sendo entre 41 e 44 graus no vale do Tejo e no Alentejo", a partir desta quarta-feira.

"A temperatura mínima irá registar valores superiores a 20 graus igualmente em grande parte do continente, havendo regiões onde as temperaturas poderão não baixar dos 24 a 28 graus durante várias noites, entre as quais a Grande Lisboa", acrescenta.

Quanto à duração temporal deste período de tempo quente e seco, o IPMA diz que "está previsto ser de, pelo menos, uma semana".

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera admite que esta situação é "particularmente anómala" nas regiões do litoral, onde "a ausência de progressão da brisa marítima para o interior e/ou a sua fraca intensidade irão contribuir para valores elevados de temperatura durante vários dias consecutivos", o que configura "uma situação rara em alguns locais".

Dois fenómenos em conjunto

O autêntico forno que se espera para Portugal na próxima semana, provavelmente até para lá disso, está relacionado com a formação de dois fenómenos que se juntam para um único evento extremo.

A situação que está a afetar Portugal tem origem “numa ação conjunta” de um anticiclone centrado a noroeste da Península Ibérica, a estender-se em crista até às ilhas Britânicas, e de uma depressão no norte de África que, “na sua circulação conjunta”, transportam ar muito quente e seco do norte de África até ao território continental.

“Salienta-se que além dos valores muito elevados de temperatura máxima, que irão atingir entre 35 e 44 graus na generalidade do território, durante a noite as temperaturas mínimas não descerão dos 20 graus, podendo mesmo situar-se entre 25 e 28 graus em algumas regiões”, incluindo a Grande Lisboa, especificou o IPMA.

“A excecionalidade deste episódio de tempo quente está essencialmente na sua duração temporal bastante prolongada”, de acordo com o instituto.

A exceção a toda esta situação serão alguns locais na zona litoral oeste e sul, ainda que poucas.

As outras ondas

“Em relação às ondas ocorridas em 2026, podemos destacar a duração máxima de 14 dias, na onda ocorrida em março, e de 13 nas ondas de calor de abril, maio e junho”, indicou o IPMA, em resposta a questões colocadas pela agência Lusa sobre o histórico destes fenómenos.

Desde o início do ano, a equipa do IPMA estima que tenham ocorrido 59 dias em onda de calor, sendo que em 2023 foram registados 80 dias em onda de calor e em 2024 os dados apontam para 74 dias. Porém, é no período estival que o impacto é mais sentido.

A onda calor “mais impactante” em Portugal continental no período do verão foi a registada em julho/agosto de 2003, “não só pela sua extensão espacial como temporal”, tendo sido batidos vários recordes de temperatura do ar, que ainda hoje se mantém, sublinhou o IPMA.

Naquele ano, registaram-se 47,3 graus centígrados na Amareleja, concelho de Moura (Alentejo).

Nos registos do IPMA, constam igualmente oito ondas de calor em 2024 e sete ondas de calor, com diferente extensão territorial no continente, nos seguintes anos: 2009, 2015, 2017, 2020 e 2023.

O que aconteceu na Europa

A onda de calor que atinge grande parte da Europa já provocou mais de 1.300 mortes desde 21 de junho, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto vários países da Europa Central e Oriental enfrentam temperaturas recorde.

A OMS apelou aos países europeus para reforçarem os planos de prevenção e resposta às temperaturas extremas, sublinhando a necessidade de integrar estas medidas nas estratégias de adaptação às alterações climáticas.

Em Portugal, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu preocupações com a vaga de calor que se avizinha e admitiu que as temperaturas venham a ter impacto na mortalidade à semelhança de outros países.

A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores, por seu lado, alertou para o aumento do risco de afogamento nos próximos dias, devido à subida prevista das temperaturas e apelou às autoridades para incluírem este risco nas mensagens de aviso à população.

Recomendações da DGS

A Direção-Geral da Saúde (DGS), com o aproximar de mais uma onda de calor, lançou esta segunda-feira um guia com recomendações para proteger trabalhadores expostos a temperaturas elevadas.

O guia inclui planos de prevenção nas empresas, organização do trabalho e reforço da hidratação para reduzir riscos como acidentes, desidratação e doenças associadas ao calor.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu preocupações com a vaga de calor que se avizinha e que as temperaturas venham a ter impacto na mortalidade, à semelhança de outros países, alertando para possíveis constrangimentos nas urgências devido à situação.

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