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Onda de calor em Espanha pode ter sido responsável por 212 mortes

26 jun, 13:14
Termómetros em Espanha podem atingir os 42 graus (Burak Akbulut/Anadolu Agency via Getty Images)
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As regiões mais afetadas foram sobretudo as do centro e norte de Espanha

A primeira onda de calor de 2026 em Espanha, que começou no domingo e está agora a perder intensidade, pode ter causado 212 mortes associadas às temperaturas extremas, segundo as estimativas iniciais do Sistema de Monitorização da Mortalidade Diária (MoMo) do país. O dia mais mortífero terá sido na quarta-feira, quando se registaram 95 óbitos, quase metade do total contabilizado durante este episódio de calor.

Os dados, ainda preliminares, apontam para um aumento significativo da mortalidade nos últimos dias de junho. Só este mês soma, para já, 380 mortes relacionadas com o calor, sendo que mais de metade ocorreram durante esta primeira onda de calor do ano. Em maio já tinham sido registadas 101 mortes atribuídas às altas temperaturas, o valor mais elevado de toda a série histórica para esse mês.

Segundo o Centro Nacional de Epidemiologia (CNE), será preciso esperar uma semana para que os dados do MoMo estabilizem. Esta ferramenta, explica à agência noticiosa EFE a cientista Diana Gómez, não mede o número real de mortes, mas sim uma projeção estatística comparando a mortalidade diária observada com a mortalidade esperada para aquele período e para as temperaturas.

No entanto, os primeiros dados revelam que "houve um aumento significativo" nos últimos quatro dias de junho.

As regiões mais afetadas foram sobretudo as do centro e norte de Espanha, indica a EFE. A Catalunha lidera a lista, com 43 mortes estimadas, seguida de Castela e Leão (32), País Basco (30) e Madrid (28). A maioria das vítimas tinha mais de 65 anos e, entre estas, destacam-se os maiores de 85 anos, grupo que concentra 148 dos óbitos registados.

Os especialistas alertam que os episódios de calor extremo estão a surgir cada vez mais cedo no ano e que isso poderá ter um impacto acrescido na mortalidade. Junho deixou também outro recorde: pela primeira vez foram registadas temperaturas mínimas superiores a 30 graus durante várias noites consecutivas.

Estudos recentes indicam ainda que as noites quentes estão a aquecer mais rapidamente do que os dias, um fenómeno que os investigadores consideram cada vez mais relevante para compreender os efeitos do calor extremo na saúde pública.

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