OMS está a investigar fabricantes de xaropes para a tosse associados à morte de 300 crianças em três países

24 jan, 11:12
Xarope

Foram identificados dois fabricantes na Índia e quatro na Indonésia cujos xaropes continham elevados níveis de toxinas fatais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a investigar se há alguma ligação entre os fabricantes cujos xaropes para a tosse contaminados foram associados à morte de mais de 300 crianças em três países.

De acordo com as fontes ouvidas pelas agências Reuters, a OMS está a tentar obter mais informações sobre as matérias-primas usadas por seis fabricantes na Índia e na Indonésia para produzir os medicamentos, nos quais foram identificados níveis inaceitáveis de tóxinas e que estão ligados às mortes recentes, bem como se as empresas as obtiveram através dos mesmos fornecedores. 
 
A OMS também está a considerar se deve aconselhar as famílias globalmente a reavaliar o uso de xaropes para a tosse em crianças, enquanto não são esclarecidas todas as questões relacionadas com estes medicamentos.
 
As mortes de crianças por lesão renal aguda começaram em julho de 2022 na Gâmbia, seguidas de casos na Indonésia e no Uzbequistão. A OMS afirma que as mortes estão ligadas a xaropes para a tosse de venda livre e que continham alguma destas toxinas: dietilenoglicol ou etilenoglicol. Estas substâncias são usadas como solventes industriais e agentes anticongelantes e podem ser fatais mesmo que tomados em pequenas quantidades.
 
Até agora, a OMS identificou seis fabricantes de medicamentos na Índia e na Indonésia que produziam os xaropes. Esses fabricantes têm
negado o uso de materiais contaminados que possam ter contribuído para qualquer morte. 

A OMS já emitiu alertas específicos para xaropes para a tosse fabricados por dois fabricantes indianos, Maiden Pharmaceuticals e Marion Biotech, em outubro de 2022 e no início deste mês. Esse xaropes estavam ligados às mortes na Gâmbia e no Uzbequistão.

Em outubro foi emitido um alerta para xaropes para tosse feitos por quatro fabricantes indonésios e vendidos no mercado interno. Os fabricantes são: Yarindo Farmatama, Universal Farmacêutica, Konimex e AFI Farma.

"A nossa principal prioridade é garantir que não haverá mais mortes de crianças devido a algo que é tão evitável", afirmou a porta-voz da OMS, Margaret Harris. 

A agência de saúde das Nações Unidas disse na segunda-feira que ampliou a sua investigação sobre a eventual presença do dietilenoglicol e do etilenoglicol em xaropes para tosse em quatro outros países onde os mesmos produtos podem ter estado à venda: Camboja, Filipinas, Timor Leste e Senegal.

A Federação Internacional de Fabricantes Farmacêuticos (IFPMA) disse em um comunicado que os seus membros já estão a agir de acordo com as indicações da OMS. 
 

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