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El Niño pode regressar já entre maio e julho e agravar extremos climáticos globais

Agência Lusa , AM
24 abr, 13:05
El Niño provoca seca na Costa Rica em 2019 (foto: Ezequiel Becerra/ AFP via Getty Images)
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Evento climático vai trazer alterações nos padrões de precipitação. Fenómeno pode intensificar eventos climáticos extremos em várias regiões.

Um evento climático El Niño deverá desenvolver-se entre os próximos meses de maio e julho, com impacto nos padrões globais de temperatura e precipitação, indicou esta sexta-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A OMM informou em comunicado que “as temperaturas da superfície do mar estão a subir rapidamente” no Pacífico equatorial “indicando um provável regresso das condições” do fenómeno climático global.

“As previsões indicam uma «dominância quase global das temperaturas da superfície terrestre acima do normal» no próximo trimestre, além de variações regionais nos padrões de precipitação”, acrescenta a OMM.

“Após um período de condições neutras no início do ano, os modelos climáticos estão agora fortemente alinhados e existe uma grande confiança no início do El Niño, seguido de uma intensificação adicional nos meses seguintes”, refere o responsável da Previsão Climática da OMM citado no comunicado.

Wilfran Moufouma Okia adianta que, apesar de os modelos indicarem poder tratar-se de “um evento forte”, a designada “barreira de previsibilidade da primavera representa um desafio para a certeza das previsões nesta altura do ano” e que “a confiança nas previsões geralmente melhora após abril”.

Caracterizado pelo aquecimento da temperatura da superfície do oceano no Pacífico equatorial central e oriental, o El Niño ocorre normalmente a cada dois a sete anos e dura entre nove e doze meses.

“El Niño e La Niña são fases opostas da Oscilação Sul do El Niño (ENOS), um dos padrões climáticos mais poderosos da Terra”, refere a OMM, explicando que “remodelam o clima global, influenciando as chuvas, as secas e os fenómenos extremos em diversas regiões”, pelo que previsões precisas e atempadas da ENOS são úteis para antecipar e responder aos riscos.

O El Niño afeta os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões e tem, geralmente, um efeito de aquecimento no clima global, sendo “tipicamente associado ao aumento das chuvas em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, Chifre da África e Ásia Central, e à seca na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia”.

“Durante o verão boreal, as águas quentes do El Niño podem alimentar os furacões no Pacífico central/oriental, ao mesmo tempo que dificultam a formação de furacões na bacia do Atlântico”, segundo a OMM.

A agência meteorológica das Nações Unidas assinala, no entanto, que “cada evento El Niño é único em termos da sua evolução, padrão espacial e impactos”.

A OMM adianta que, embora não existam provas de que as alterações climáticas aumentem a frequência ou a intensidade dos eventos, “podem amplificar os impactos associados”, dado que “um oceano e uma atmosfera mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e humidade para fenómenos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas”.

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