Ómicron continua a ser “mais simpática” do que outras variantes mas há mais queixas de sintomas

17 mai, 07:00
Medição da temperatura corporal. (Pexels)

Continua a ser “mais simpática” do que as variantes anteriores, sobretudo no que diz respeito aos internamentos e óbitos, mas estar infetado com a Ómicron não significa sair sempre ileso e sem qualquer sintoma

A chegada da variante Ómicron foi vista quase como uma lufada de ar fresco no decorrer da pandemia, na esperança de trazer a tão desejada imunidade natural de grupo, uma vez que é mais contagiosa, mas causa menos doença grave e menos óbitos do que as variantes antecessoras. Mas isso não quer dizer que não haja perigos associados e que não possa mesmo causar sintomas.

“Apesar de não estar a causar doença mais grave, há mais relatos de doença sintomática e isso provoca mais contactos para [linha] saúde 24 e ida para urgência”, começa por explicar Mário A. Macedo, enfermeiro no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca.

 

De acordo com Gustavo Tato Borges, presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, os sintomas mais comuns agora são “inespecíficos”, o que ajuda a aumentar o leque de queixas, mas que pode também dificultar o diagnóstico, por serem facilmente desvalorizados e associados a outras patologias. E aqui, diz o médico, encaixam sintomas como “dor de cabeça, dor muscular, cansaço, mal-estar geral, febre, tosse e pingo no nariz, dor de garganta”.

E o mesmo acontece com as crianças. “Nota-se uma maior afluência, muitos mais miúdos do que era suposto ser para esta época e muitos vêm referenciados pela [linha] saúde 24 com sintomas ligeiros”, diz Mário A. Macedo, que explica que, nas crianças, “os sintomas que temos visto mais, além dos clássicos, que são a febre e a tosse (a perda de olfato e paladar já não são tão comuns), agora vemos mais vómitos e dores de garganta”.

Sintomas que, afirma o enfermeiro, acabam por também dificultar o diagnóstico, pois facilmente se confundem com outras patologias típicas em idade pediátrica. “Confunde-se com gastroenterite e amigdalite viral e bacteriana”, explica, frisando que isso faz com que a pessoa faça “a sua vida normal e acaba por estar a transmitir” a doença a outros.

Segundo o virologista Paulo Paixão, os sintomas descritos são, pelo menos, mais atípicos do que aqueles até agora notificados: “Deixámos de ter aqueles sinais respiratórios típicos do início, algumas infeções já quase nem têm sinais respiratórios evidentes, dão febre e dores de cabeça”, esclarece. “Pode ser um efeito não tanto das linhagens diferentes mas da vacinação, que altera um pouco a apresentação clínica da doença”, diz o presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia.

À CNN Portugal, Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, diz que a questão dos sintomas continua a ser “muito empírica”. “Vai variando, posso dizer que agora tenho doentes sem sintomas e doentes positivos com imensas queixas, mas continuam a ser sintomas ligeiros”, refere.

Uma infeção prévia ajuda a aligeirar os sintomas?

É difícil saber. Por norma, as reinfecções são menos graves para um doente que já esteve infectado com o SARS-CoV-2, mas a questão não é taxativa, defendem os médicos de saúde pública Gustavo Tato Borges e Bernardo Gomes e o virologista Paulo Paixão. 

À CNN Portugal, o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública explica: "O que temos encontrado nos reinfetados é que há um decréscimo da intensidade dos sintomas, mas não é regra, porque há quem relate mais”. Também Bernardo Gomes considera que “se tivermos reinfeção com uma variante suficientemente diferente, não há garantias de que não tenhamos doença mais grave”. 

Além disso, as reinfeções não são sinónimo de imunidade eterna. “Há uma ideia de que a imunidade natural nos protege para o inverno, mas não há evidência de que teremos mais defesas no inverno, é uma ideia errada, apenas com a vacinação perto do inverno”, diz Gustavo Tato Borges. 

Sobre este ponto, o enfermeiro Mário A. Macedo deixa o alerta de que a imunidade natural causada pela infeção é agora menos duradoura. “A nova Ómicron continua a sofrer alterações, agora estamos na BA.4 e BA.5, que já têm capacidade de reinfectar quem teve a BA2, coisa que não acontecia até agora. A pessoa agora pode ficar infetada dois, três meses depois, antes era oito a nove meses”, frisa o especialista.

A linhagem BA.5 da variante Ómicron já é a variante dominante dos casos de infeção em Portugal, uma tendência de crescimento que deve chegar aos 80% a 22 de maio, estima o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

. “Não podemos negligenciar a covid, 10-20% irão desenvolver o long covid e as que têm sintomas vão desenvolver sequelas dos mais variados tipos, que vão desde neurológicas, cardíacas, renais, pulmonares e psicológicas, seria um erro considerar, que a doença não tem um peso associado para além da infeção aguda”.covid ligeira nem sempre é assim tão ligeira que devem ser tidas em conta - até porque a longo prazoPara Gustavo Tato Borges, a Ómicron “não é uma variante total benigna, é mais simpática do que as anteriores”, mas traz consigo consequências a curto, médio e

 

Relacionados

Novo Dia CNN

5 coisas que importam

Dê-nos 5 minutos, e iremos pô-lo a par das notícias que precisa de saber todas as manhãs.
Saiba mais

Covid-19

Mais Covid-19

Patrocinados