Prepare-se para a reunião do Infarmed: pandemia mais alastrada mas menos grave evita ruturas nos hospitais?

4 jan, 21:18
Reunião de especialistas no Infarmed
Reunião de especialistas no Infarmed

Especialistas reúnem-se esta quarta feira de manhã no Infarmed para analisar pandemia. Um ano depois da terceira vaga, em que ponto estamos?

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Há um ano, Portugal estava prestes a entrar no período mais negro da pandemia. Agora com uma nova variante dominante, a Ómicron, os especialistas voltam a reunir-se para aconselhar o governo sobre as medidas a tomar. O encontro tem lugar esta quarta feira, 5 de janeiro, a partir das 10 horas, durando até ao almoço.

Vão as escolas reabrir mesmo no dia 10? Pode o período de isolamento reduzir-se mais? Os hospitais são capazes de suportar um eventual crescimento de casos? Estas serão questões previsivelmente em análise na reunião. À entrada dela, em que ponto estamos?

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Uma questão de percentagens

A Variante Ómicron é mais contagiosa e menos virulenta que a variante delta, antes prevalecente. Isso evita rutura nos hospitais em janeiro, como no ano passado? Depende

Atente nesta frase: uma percentagem muito pequena de um número muito grande pode gerar um resultado grande.

Talvez esta frase resuma os riscos de Portugal neste mês de janeiro. Os dados que já se conhecem sobre a variante Ómicron revelam taxas de mortalidade e de internamentos relativamente menores (a tal percentagem baixa), mas o número de infetados pode continuar a crescer muito (o tal número muito grande). Desta conta pode assim resultar um número de óbitos mais elevado e de internamentos que voltem a pôr o SNS sob stress (o tal resultado grande).

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Este é um dos argumentos daqueles que têm mais receios em relação à evolução da covid-19 nas próximas semanas. Em sentido contrário, há especialistas que entendem que Portugal deve aligeirar as restrições, mantendo-as apenas em relação aos grupo de risco.

O que dizem os dados?

Há um ano, no início de janeiro de 2021, Portugal estava prestes a entrar na vaga mais grave da pandemia e ainda não o sabia. Este ano, com o número de infetados a disparar em flecha, a menor virulência da variante Ómicron garante que o número de óbitos continuará longe dos dados de um ano antes, e que os hospitais não entraram em rutura? A resposta não é fácil de dar, mas há indicadores a observar. Sobretudo a evolução da Ómicron, mas também a reabertura das escolas.

A terceira vaga letal


Em janeiro de 2021 morreram em Portugal 5.875 pessoas por Covid-19. A cavalgada durante aquele mês levou a que por duas vezes se atingisse um máximo de 303 óbitos em 24 horas, numa média ao longo do mês de 187 óbitos diários. Os números mais baixos foram registados precisamente de 1 a 2 de janeiro, com uma média de 75 óbitos por dia. Entrámos pois nesse mês com seis vezes mais óbitos do que nos dias 1 a 3 de janeiro deste ano, dias em que morreram em média 13 pessoas por Covid-19.

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O mesmo se verifica nos internamentos: no dia 3 de janeiro do ano passado havia 3171 internados, 510 dos quais em UCI. No mesmo dia deste ano, 3 de janeiro (de acordo com os dados publicados dia 4, que refletem a véspera) havia 1203 internados (menos 62% do que há um ano) e 147 em UCI (menos 71% do que um ano antes). O ponto de partida é, pois, melhor este ano. Mas há muitos mais infetados.

A 3 de janeiro deste ano foram detetadas 25.836 infeções, depois de realizados mais de 251 mil testes. No mesmo dia de 2021, houve menos de 4369 casos, depois de menos de 21 mil testes.

A situação é pois, neste momento, menos grave do que há um ano. Mas tudo parece depender do crescimento do número de infetados: se for muito grande, então mesmo uma pequena percentagem de internados pode resultar numa acorrência maior aos hospitais. São questões como estas que os especialistas terão de analisar na reunião do Infarmed, para que o governo tome depois medidas para as semanas que se seguem.

Dezembro: mais casos, mais testes, menor gravidade

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Analisando todo o mês de dezembro de 2021, que findou há quatro dias, confirma-se que houve muito mais testes e muitos mais casos; vários especialistas foram aliás sublinhando a correlação entre mais testagem e mais infectados ao longo do mês.

Mais testes. Ao todo, foram realizados em dezembro 5,4 milhões de testes em dezembro, uma média de 174 mil por dia. Este foi não só o valor mais alto desde o início da pandemia como foi mais de cinco vezes o número de testes realizado em dezembro do ano anterior, 2020, mês em que foram realizados pouco mais de um milhão de testes, equivalentes a uma média de cerca de 34 mil por dia

Mais casos. O aumento de testes é um dos fatores por detrás do aumento de infetados. Mas não é o único: a variante Ómicron, que se tornou prevalecente em dezembro último, é mais contagiosa do que a variante 20E (EU1), que prevalecente em dezembro de 2020 (nesta altura as variantes ainda não tinham nomes de letras gregas: a variante britânica, por exemplo, foi rebatizada como alfa em maio de 2021 pela OMS). O facto é que, em dezembro último, houve uma média diária de 8.420 infetados, mais do dobro da média de dezembro de 2020. A média para os 31 dias esconde, no entanto, uma aceleração muito grande no final de dezembro: na última semana de dezembro último, o número de infectados foi quatro vezes superior ao verificado na mesma semana de 2020.

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Menos óbitos. Se a pandemia alastrou visivelmente em dezembro, o número de óbitos caiu. Em dezembro último, morreram em Portugal 518 pessoas por Covid-19, menos 78% do que os 2385 óbitos de dezembro de 2020. 

Menos internamento e UCI. Os números de internamentos e UCI comunicados pela DGS são os dados em cada dia. Em média, o número de internamentos diário em dezembro de 2021 foi de 936 doentes, dos quais 144 em unidades de cuidados intensivos. Comparando, estes valores são menos cerca de 70% dos verificados em dezembro de 2020, quando a média de internados foi de 3100, dos quais 503 em UCI.

Notas metodológicas

A CNN Portugal tem vindo a publicar análises comparadas entre 2021/22 e 2020/21 para aprofundar a comparabilidade. Fá-lo para medir não apenas valores absolutos mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado. Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade.

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Os indicadores de dezembro mostram que a pandemia está mais alastrada mas foi menos grave do que era um ano antes. Para isto contribuirá a vacinação e uma menor virulência da variante Ómicron.

Notas: a proporção entre número de infetados e número de testes realizado não é a taxa oficial de positividade, pois muitos dos casos confirmados podem referir-se a análises em atraso (é, ainda assim, uma aproximação a essa taxa).

Da mesma forma, a relação entre internados e infetados é uma indicação que não deve fazer esquecer que muitos podem tornar-se internados apenas algum tempo depois da infeção.

Recorde-se também que os números de internados e em UCI são as médias em cada dia (não os novos internados ou os novos em UCI), seguindo-se o padrão de comunicação utilizado todos os dias pela DGS. Quando por exemplo se vê uma proporção de 4,9% entre internados e infeções, isso não significa que 4,9% dos infetados seja internados, mas sim que face ao número de infetados comunicados nessa semana houve uma média de 4,9% internamentos. São esses os critérios comunicados diariamente pela DGS.

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