Oligarca russo diz que "os generais acordaram de ressaca e perceberam que têm um exército de merda"

20 abr, 10:07
Oleg Tinkov

O magnata Oleg Tinkov considera que não há "um único beneficiário desta guerra louca" e garante que "90% dos russos são contra a guerra"

Oleg Tinkov é um dos empreendedores russos mais conhecidos a nível mundial e até já foi sancionado pelo Reino Unido. Mas esta terça-feira tornou-se também num dos russos mais críticos da guerra na Ucrânia.

Através de uma publicação nas redes sociais, o oligarca - que vive regularmente no estrangeiro - afirmou que "90% dos russos são contra a guerra" na Ucrânia. "Claro que há 10% de idiotas que escrevem Z [um símbolo de apoio aos russos na guerra], mas 10% de qualquer país são idiotas".

"Não vejo nenhum beneficiário desta guerra louca", escreveu Oleg Tinkov no Instagram, alertando também que "pessoas inocentes e soldados estão a morrer". 

“Os funcionários do Kremlin estão em choque, porque não serão os únicos, mas também os seus filhos, a não poder ir ao Mediterrâneo este verão”, ironizou o fundador do Tinkoff Bank - o segundo maior emissor de cartões de crédito na Rússia.

Mas as críticas ao país natal não se ficaram por aqui. Oleg Tinkov também ridicularizou o estado das forças russas durante a atual "operação militar especial" e questionou-se como o Exército poderia ser bom “se tudo no país é uma porcaria”, um país onde prevalece o “nepotismo”, a “bajulação” e o “servilismo”.

"Os generais, ao acordar de ressaca, perceberam que têm um Exército de merda", lê-se na publicação, em russo.

Já em inglês, Oleg Tinkov pediu ao Ocidente para “dar ao mister Putin uma saída clara para salvar a face e parar o massacre”. “Por favor, seja mais racional e humanitário”, insistiu.

Além do Tinkoff Bank, Oleg Tinkov é conhecido por ter sido o proprietário de uma das equipas mais fortes e bem-sucedidas do ciclismo (a Tinkoff Saxo), mas também pelas suas extravagâncias e críticas  - muitas vezes vulgares - dirigidas aos seus próprios ciclistas e aos organizadores das principais corridas.

Importa referir que outros oligarcas russos já tinham criticado a intervenção da Rússia na Ucrânia, mas poucos foram tão duros quanto Oleg Tinkov. Anatoly Chubais, por exemplo, é considerado o "pai dos oligarcas", chegou a oferecer emprego a Putin no Kremlin, mas acabou por deixar a Rússia em protesto pela guerra. Também Arkadi Dvorkovich, que foi consultor económico de Dmitri Medvedev durante a sua presidência e vice-primeiro-ministro até 2018, foi um dos poucos altos funcionários do Kremlin a condenar a guerra, tendo deixado a liderança do fundo de tecnologia Skolkovo, apoiado pelo estado russo.

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