Hugo Soares repreendeu a aprovação do fim das portagens em várias autoestradas
O líder parlamentar do PSD acusou esta quinta-feira PS e Chega de populismo por terem aprovado o fim de um conjunto de portagens em autoestradas, avisando que estas vão continuar a ser pagas “por todos, ricos e pobres” através dos impostos.
Na sessão de encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2026, no parlamento, Hugo Soares até elogiou o sentido de responsabilidade do PS ao viabilizar o documento através da abstenção, apesar de questionar a motivação dos socialistas.
“Taticismo ou interesse nacional, o tempo o dirá”, afirmou.
No entanto, o líder parlamentar do PSD aproveitou o encerramento para criticar alguns pontos das várias intervenções dos partidos que o antecederam.
Primeiro, Hugo Soares questionou Rui Tavares, do Livre, e José Luís Carneiro, do PS –, que acusaram o Governo de estar a desbaratar o excedente orçamental.
“É desbaratar dinheiro na recuperação do tempo de serviço dos professores? No aumento extraordinário das pensões para os pensionistas e reformados com pensões mais baixas? No subsídio do risco da PSP e da GNR? Na valorização de 21 carreiras da administração”, questionou.
Depois, respondeu à acusação feita pelo líder do Chega, André Ventura, de que o Governo já teria criado dezenas de grupos de trabalho.
“Sabem quantos grupos de trabalho propôs o deputado André Ventura e o Chega que foram aprovados no Orçamento de 2025? Cerca de 40”, acusou, acrescentando também que o única IVA que desceu na proposta para 2026 foi por acordo entre Chega e PS para “as obras de arte de luxo”.
Finalmente, centrou-se no fim das portagens em várias autoestradas, aprovadas na especialidade também com votos de PS e Chega, contra a vontade da AD.
“As autoestradas vão continuar a ser pagas, só que desta vez não vão ser pagas por quem lá passa, não vão ser pagas por quem utiliza, vão ser pagas por todos com os nossos impostos, quem tem carro, quem não tem, quem é rico, quem é pobre, quem nunca lá passou, quem nunca lá quis passar”, criticou.
“Paga o rico, paga o pobre, paga quem tem carro, paga quem anda de trotinete, pagam todos aqueles que são portugueses, nos seus impostos, o populismo do Chega e do Partido Socialista”, acrescentou.
Na sessão de encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2026, no parlamento, Hugo Soares destacou que foram aprovadas 70 propostas da oposição e assegurou que o compromisso da sua bancada com o diálogo e com soluções não é retórica.
“Vamos, de uma vez por todas, acabar com as birras políticas que infantilizam a democracia. Deixemos os azedumes que em nada melhoram a vida dos portugueses. Repito: abandonemos a cegueira ideológica, o que importa são os portugueses”, disse.
Hugo Soares considerou que “ninguém é radical de direita por pôr cobro ao caos da imigração”, dizendo que o Governo PSD/CDS-PP tomou medidas de regulação neste setor “por responsabilidade e por humanismo”.
“E ninguém é perigoso esquerdista por aumentar três vezes seguidas o Complemento Solidário para Idosos — isso é justiça social”, contrapôs.
O deputado e também secretário-geral do PSD aproveitou para deixar um apelo direto aos dois maiores partidos da oposição, Chega e PS.
“Não se enclausurem na ideologia. Não se escondam atrás de birras. Onde uns podem estar, podem estar todos. Onde está o interesse nacional, cabemos todos”, apelou.
“Portugal está melhor, mas os portugueses também estão”, afirmou, numa adaptação da frase do agora líder do PSD, Luís Montenegro, durante o período da troika, afirmou que o país estava melhor, mas os portugueses ainda não sentiam esses benefícios.
O dirigente social-democrata salientou o Governo da AD (PSD/CDS-PP) apresenta, pelo segundo ano consecutivo, um Orçamento que não aumenta um único imposto.
“Governo da AD. Dois Orçamentos. Zero aumentos de impostos. Isto nunca aconteceu na história democrática portuguesa”, afirmou, frisando ainda tratar-se de um documento de “contas justas”, que “desce a dívida, não tem défice e prevê excedente”.