PCP critica "orçamento para minoria" e sugere que PS fez favor ao Chega e IL

Agência Lusa , MCC
27 nov, 12:38
Paulo Raimundo no Parlamento (LUSA)

O Orçamento de Estado para 2026 está a ser votado esta quinta-feira

O secretário-geral do PCP considerou esta quinta-feira que a proposta de Orçamento do Estado para 2026 está ao “serviço de uma minoria” e criticou o PS por viabilizá-lo, sugerindo que está a fazer um favor ao Chega e IL.

“Aí está um orçamento às ordens de Bruxelas, dos grupos económicos e das multinacionais”, criticou Paulo Raimundo num discurso no encerramento da discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2026, na Assembleia da República.

O secretário-geral do PCP considerou que, para os grupos económicos e as multinacionais, “nunca há preocupações com o equilíbrio das contas públicas” e, para esses, “o défice nunca é um problema”.

“Todo esse choradinho só vale quando é para aumentar salários, reformas e pensões, para valorizar o subsídio de refeição, carreias, profissões e serviços públicos. (…) Foi este o filme do Orçamento, com as carpideiras do sistema a derramarem lágrimas de crocodilo sobre as propostas do PCP”, acusou.

Depois, Paulo Raimundo deixou críticas ao PS por viabilizar a proposta do Governo, frisando que, quando o Orçamento do Estado for aprovado em votação final global, “PSD e CDS, de pé e de forma efusiva, vão bater muitas palmas”.

“O PS não aplaude, mas não se livra de ter suportado um Orçamento e a política a que este dá expressão”, criticou, antes de sugerir que os socialistas fizeram um favor ao Chega e à IL ao abster-se.

“Chega e IL vão sorrir [quando o Orçamento for aprovado], com o sentimento de dever cumprido e com uma imensa gratidão ao PS por poderem votar contra um Orçamento com o qual estão profundamente de acordo”, afirmou.

Em contraponto, Paulo Raimundo frisou que o PCP vai “fazer frente” ao documento e apresenta-se “não só como alternativa, mas como a solução para aquilo que se impõe à vida da maioria: a rutura com um caminho prosseguido há 50 anos pelas mãos do PSD, CDS, PS e por todos os que lá estavam e agora se encontram nas bancadas do Chega, da IL, entre outros”.

“Este é um orçamento de uma política de Novembro, ao serviço de uma minoria. Aquilo que faz falta não é um orçamento de Novembro, é uma política de Abril, de direitos, desenvolvimento e democracia”, defendeu.

O secretário-geral do PCP lamentou que, durante o debate na especialidade, se tenham chumbado propostas para o aumento das reformas e pensões, para a contratação de mais profissionais de saúde, professores ou polícias, ou para a redução do IVA no gás, eletricidade, telecomunicações e bens alimentares.

“‘Não pode ser, não há dinheiro para tudo, ai ai as contas públicas, cuidado com o défice, propostas dessas rebentam com o Orçamento, o país e quiçá o mundo’. Foi isto que ouvimos e que ainda hoje vamos, de certeza, voltar a ouvir”, ironizou.

No entanto, Paulo Raimundo referiu que, “no meio de tanta choradeira, não houve uma lágrima, um suspiro, um lamento que fosse sobre os milhões e milhões de euros que o Orçamento do Estado transfere diretamente para os cofres dos grupos económicos e das multinacionais”.

“É descida do IRC, é mais benefícios fiscais, privatizações, parcerias público-privadas e negociatas. (…) Para estes, há tudo, para quem trabalha, trabalhou uma vida inteira, para os jovens, sobre a propaganda, as promessas, o aperto da vida e a emigração”, disse.

Paulo Raimundo abordou ainda o pacote laboral apresentado pelo Governo, acusando o executivo de estar “de mãos dadas” com Chega e IL para “apertar ainda mais quem já hoje enfrenta a instabilidade, sem tempo para viver e para família, com salários cada vez mais curtos”.

“PSD, CDS, o ‘Chega de direitos para quem trabalha’ e a Iniciativa Patronal são os porta-vozes dessa minoria que quer explorar ainda mais a maioria”, criticou, antes de prever que “os que criam a riqueza e põem o país a funcionar vão derrotar” o pacote laboral.

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