IL confirma voto contra em Orçamento "ganancioso para o Estado" e com "falta de coragem"

Agência Lusa , MCC
27 nov, 12:45
Mariana Leitão, da IL, Parlamento (LUSA)

Mariana Leitão acusa o Governo de ter tornado o Orçamento "cada vez mais distante da realidade dura em que os portugueses vivem"

A líder da IL confirmou esta quinta-feira o voto contra na proposta de Orçamento do Estado para 2026, considerando que mostra “falta de coragem” e que foram chumbadas na especialidade todas as propostas que “podiam tornar Portugal melhor”.

No encerramento da discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2026, na Assembleia da República, Mariana Leitão considerou que o debate orçamental, que deveria ser “sobre o futuro, transformou-se num espetáculo de autoelogio do Governo”.

“O Governo, pela mão do ministro das Finanças, tentou expulsar a política do Orçamento. E, ao fazê-lo, expulsou também a visão, a ambição e qualquer espírito reformista”, criticou.

Mariana Leitão acusou o Governo de ter tornado o Orçamento do Estado “cada vez mais técnico na forma, mas cada vez mais distante da realidade dura em que os portugueses vivem”.

“Esse é o erro político e moral deste Orçamento: tratar as pessoas como nota de rodapé nas estatísticas. A verdade é que não há país melhor com portugueses pior. E tudo isto tem um nome: falta de coragem”, acusou.

Para a líder da IL, “é um Orçamento pouco ambicioso para os portugueses e muito ganancioso para o Estado”.

“A IL volta a votar contra porque não aceita continuar a iludir os portugueses. Votamos contra porque recusamos a ilusão de que um modelo falhado pode ser eternizado. Portugal merece mais do que isto”, afirmou.

Mariana Leitão salientou que, durante o debate na especialidade, a IL “apresentou cerca de uma centena de propostas de alteração ao Orçamento”, que apresentavam “soluções concretas, responsáveis, exequíveis e todas elas com um objetivo simples: melhorar a vida dos portugueses”.

“E o que fez o Governo e os partidos que o suportam? (…) Tudo chumbado. Uma a uma. Chumbou tudo o que podia tornar Portugal melhor”, acusou.

Dirigindo-se a Luís Montenegro, Mariana Leitão defendeu que, “se há algo que esta legislatura já deixou claro, é que a coragem não mora em São Bento, mora nas pessoas que todos os dias lutam para viver num país em que o Estado lhes dificulta a vida”.

“O Estado cresce, mas a qualidade de vida dos portugueses não cresce com ele. E isso, senhor primeiro-ministro, é a prova mais clara de que algo está profundamente errado”, criticou, recusando a ideia de que esta Orçamento inclui “o maior alívio fiscal de sempre”.

“Qual alívio fiscal? O que o Governo chama de alívio fiscal é uma devolução mínima daquilo que antes retira em excesso. É como tirar um bolo inteiro aos portugueses e depois devolver uma pequena fatia e esperar aplausos de todos nós”, comparou.

Mariana Leitão defendeu que é por “dizer a verdade” e por “saber o que tem de ser feito” que a IL “incomoda tanto este Governo”.

“Incomodamos porque não embrulhamos o país em propaganda, não sacrificamos a honestidade a ganhos de curto prazo, não cedemos à tentação do cálculo eleitoral. E é por isso que nos tentam colar a um radicalismo imaginário para mascarar aquilo que é impossível esconder: a vossa falta de coragem e de respostas para o país”, afirmou.

Mariana Leitão defendeu que “existe uma alternativa” ao caminho seguido pelo Governo, corporizada pela IL, que, disse, escolhe a coragem em vez do conforto.

“Enquanto outros escolhem a propaganda, nós escolhemos a verdade. Enquanto outros escolhem ganhar a qualquer preço, nós escolhemos fazer o que é certo. Este é o nosso caminho. Um caminho em que, finalmente, o país estará melhor porque os portugueses estarão melhor”, afirmou.

Partidos

Mais Partidos