Morte de Odair: procuradora desmente no processo versão da PSP sobre ameaça de faca

12 dez 2024, 20:03

A procuradora Patrícia Agostinho, que conduz no DIAP de Lisboa o inquérito à morte de Odair Moniz, ignora por completo, desmentindo-a, a versão oficial da PSP segundo a qual Odair terá ameaçado e tentado atacar os agentes com recurso a uma faca antes de ser morto a tiro por um deles, sabe a CNN Portugal. Nada dessa versão consta da prova indiciária que a magistrada tem no processo, face ao que a PJ apurou.

Ou seja, na matéria que foi apresentada ao agente que fez os disparos mortais, durante o interrogatório a que foi sujeito esta quarta-feira no Ministério Público, a procuradora dá como certo que os disparos ocorreram na sequência de uma altercação física sem qualquer recurso a facas por parte de Odair. 

A tese que vinga vai ao encontro do que o agente afirmara na PJ a 21 de outubro, horas após o incidente mortal, segundo o qual não houve qualquer ameaça explícita com armas brancas mas apenas que no calor do confronto físico, já em queda no chão, pareceu-lhe ter visto qualquer coisa que se assemelhasse a uma lâmina de faca. 

Uma versão que a magistrada acolhe - e que choca de frente com o comunicado da PSP após os factos, onde se podia ler que, “quando os polícias procediam à abordagem do suspeito, o mesmo terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca, tendo um dos polícias, esgotados outros meios e esforços, recorrido a arma de fogo e atingido o suspeito”.

A PSP diz que esta versão do comunicado é fiel ao que o agente descreveu no auto de notícia - mas como a CNN já noticiou existem suspeitas de que quem fez o auto de notícia não foi o agente em causa.

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