"Já estamos muito atrasados" na preservação dos oceanos, mas "ainda não é demasiado tarde". O aviso do ministro dos Negócios Estrangeiros no Dia Mundial dos Oceanos

Agência Lusa , CF
8 jun, 09:57
FOR-MAR recebe apoio do PRR (Foto:H. Yoshii/Unsplash)

João Gomes Cravinho realçou o papel de Portugal na problemática dos oceanos, recordando que a história do país "está profundamente ligada" ao mar. O ministro estará presente num evento da ONU a propósito da data, sob o tema "Revitalização: Ação Coletiva pelo Oceano"

O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse à Lusa que vai alertar na ONU que, apesar do atraso mundial na preservação oceânica, ainda "não é demasiado tarde" para agir.

Num evento que decorre esta quarta-feira na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Dia Mundial dos Oceanos, sob o tema "Revitalização: Ação Coletiva pelo Oceano", vão estar figuras de vários setores, como políticos, celebridades, ativistas e empreendedores, de forma a "inspirar e desencadear mudanças colaborativas".

No evento, o ministro João Gomes Cravinho estará em representação de Portugal como coanfitrião da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que decorre em Lisboa de 27 de junho a 1 de julho, numa parceria com o Quénia.

Em entrevista à Lusa na terça-feira, em Nova Iorque, o governante afirmou que vai destacar a "situação verdadeiramente perigosa" da saúde dos oceanos e o papel de Portugal em torno deste tema.

"Naturalmente que vamos chamar a atenção para a forma como Portugal procura desempenhar aqui um papel muito especial na comunidade internacional em torno da problemática dos oceanos. Os oceanos não são propriamente um tema novo para Portugal. Pelo contrário, a história de Portugal está profundamente ligada aos oceanos", começou por dizer Cravinho.

Fazendo a ligação com o passado e com a história de Portugal, o governante salientou que os desafios oceânicos da atualidade são muito diferentes daqueles com que o mundo se confrontava há uns anos.

"Hoje temos uma situação verdadeiramente perigosa relacionada com a perda de saúde dos oceanos, a acidificação dos oceanos, o impacto que as alterações climáticas têm sobre os oceanos e a degradação da capacidade de descarbonização, que é uma capacidade muito importante que os oceanos desempenham em termos do ambiente internacional", explicou.

"Aquilo que vou sublinhar é que não é demasiado tarde, mas já estamos muito atrasados e, portanto, que os desafios que não estavam numa posição de grande protagonismo na agenda internacional precisam hoje de ter outra atenção. A conferência de Lisboa, daqui a poucas semanas, e a Declaração de Lisboa que vai surgir da conferência, são oportunidades que nós não devemos desperdiçar", disse o ministro sobre a mensagem que irá passar no evento deste quarta-feira das Nações Unidas.

Entre as figuras que vão discursar no evento "Revitalização: Ação Coletiva pelo Oceano" estão o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a supermodelo e advogada de sustentabilidade Amber Valletta, e Editrudith Lukanga, fundadora e diretora da Environmental Management and Economic Development Organization (EMEDO), uma organização de interesse público que aborda os desafios ambientais, sociais e económicos na região do Lago Vitória, em África.

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