Ondas de choque da guerra no Irão atingem economias desenvolvidas. Incluindo Portugal: este ano vai ser pior do que se esperava. E, segundo a OCDE, pior do que o governo antecipa
A OCDE prevê que a economia portuguesa cresça 1,8% este ano de 2006 e 1,7% em 2027. Trata-se de uma revisão em baixa, face às expectativas anteriores de crescimento de 2,2% para este ano. A organização está mais pessimista sobretudo por causa dos efeitos inflacionistas causados pelo conflito no Irão.
“O aumento dos preços da energia terá repercussões em toda a economia e a inflação deverá atingir um pico de 3,2% em 2026″, escreve a OCDE no relatório de previsões económicas divulgado esta quarta-feira de manhã.
Previsões para Portugal em formato telegrama:
- O que piora nas previsões: as exportações (+0,8%).
- O que pode compensar: o PRR, pelo impulso ao investimento (+5,2%)
- O que sustenta o crescimento: o consumo das famílias.
- A pior notícia: a inflação.
- O maior risco: prolongamento da crise nos mercados energéticos.
- E nas contas públicas? Saldo orçamental nulo este ano (melhor do se esperava) e dívida pública continua a cair (87,1% em 2027).
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"A evolução do conflito no Médio Oriente tornou-se a força dominante que molda as perspetivas económicas globais, provocando um choque energético que está a impulsionar as pressões inflacionistas e que se prevê que tenha impactos adversos no crescimento", escreve a OCDE no seu relatório de Perspetivas Económicas.
A organização estabelece dois cenários: um em que a perturbação tem duração limitada, e em que "a produção e o comércio de energia nas economias do Golfo regressam progressivamente aos níveis pré-conflito a partir de meados de 2026"; e outro de perturbação prolongada, que persiste por 2027 adentro, "com preços da energia mais elevados, riscos crescentes de escassez de oferta e um aperto das condições financeiras globais, o que acarreta consequências mais amplas e duradouras para a economia global".
"Quanto mais tempo durarem as perturbações, maiores serão os custos económicos e sociais", declara o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann. "Qualquer apoio fiscal que os países prestem em resposta ao choque deve ser direcionado para os mais necessitados e ser temporário, a fim de evitar um aumento adicional da dívida pública e preservar os incentivos à poupança de energia. De forma mais ampla, os países precisam de lançar as bases para um crescimento e uma produtividade mais fortes, melhorando o ambiente empresarial, reforçando as competências e tirando partido dos benefícios da IA e de outras tecnologias transformadoras."
No cenário de "perturbação de duração limitada", a OCDE prevê que o crescimento global abrande de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026, antes de recuperar para 3,1% em 2027.
No cenário de "perturbação prolongada", o crescimento global abranda para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027, "deixando uma marca duradoura em muitos países, especialmente na Ásia, na Europa e nas economias em desenvolvimento mais vulneráveis ao choque dos preços da energia e dos alimentos".
"O crescimento do PIB nos Estados Unidos está projetado em 2,0% em 2026, antes de abrandar para 1,8% em 2027. Na zona do euro, o crescimento deverá permanecer modesto, em 0,8% em 2026, antes de recuperar para 1,2% em 2027. Prevê-se que o crescimento da China abrande para 4,5% este ano e 4,3% em 2027."
No cenário de perturbação de duração limitada, "espera-se que a inflação anual dos preços no consumidor nas economias do G20 aumente coletivamente para 4,0% em 2026, face aos 3,4% em 2025, antes de abrandar para 3,1% em 2027, à medida que as pressões sobre os preços da energia e dos alimentos diminuam. A inflação aumentaria significativamente mais no cenário de perturbação prolongada."
