Em cada dez, seis obstetras e sete radiologistas estão fora do SNS

9 dez 2025, 07:01
“Cada vez diagnosticamos mais”. Neste hospital em Guimarães já há um grupo de tratamento dedicado à endometriose

Na obstetrícia da Península de Setúbal, onde as urgências têm fechado vários dias, há 39 especialistas para uma população de 800 mil. E a área da radiologia é das poucas que está com menos profissionais do que no ano passado

Em todo o país há 1.940 ginecologistas/obstetras, mas apenas 745 estão neste momento no Serviço Nacional de Saúde. Os números mostram que seis em cada dez não trabalha nos hospitais públicos.

Numa altura em que se têm sucedido os casos de fechos de urgência desta especialidade, os dados da Ordem dos Médicos (OM) e da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) mostram que há 22,9 obstetras por cada 1.000 nascimentos. Mas se se contabilizar apenas os que estão no SNS o rácio passa para 8,5 médicos por 1.000 nascimentos.

Uma das situações mais problemáticas vive-se na Margem Sul, nomeadamente na Península de Setúbal, onde as urgências de obstetrícia estão constantemente fechadas exatamente por falta de especialistas e que em breve serão concentradas, prometeu a ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Os três hospitais juntos – Garcia de Orta, em Almada, e os de Barreiro e Setúbal - servem uma população total de mais de 800 mil utentes, mas só há 39 especialistas em ginecologia e obstetrícia nestas unidades: 17 no Garcia de Orta, 11 no Barreiro e 11 também em Setúbal, indica informação da ACSS.

Falta de radiologistas já obrigou IPO a recorrer a serviços externos  

A área da radiologia, responsável por muitos dos exames feitos aos doentes nos hospitais, é outra das que se encontra em situações de maior rutura. Há no país 1.189 radiologistas, segundo dados da Ordem dos Médicos, mas só 387 estão nos estabelecimentos públicos.

E se, em dez obstetras, seis não se encontram no sector do Estado, a situação dos radiologistas ainda é pior: em cada dez, sete estão fora do SNS. Aliás, segundo dados da ACSS, os radiologistas diminuíram desde o ano passado. Eram 389 e perderam-se dois. Em formação para obterem esta especialidade há 167 profissionais. A falta de radiologistas tem levado muitas Unidades Locais de Saúde e IPO a ter de recorrer a serviços externos para que os doentes possam fazer exames, como ressonâncias magnéticas para o cancro da mama.

Quanto aos anestesistas, que estão também entre as áreas com mais falta, há neste momento 2.448. Mas o SNS conta apenas com 1.314. Entre pediatras a situação é semelhante: há 2.549 mas quase metade (1.190) está fora das unidades públicas.

Outro dos problemas são especialistas em Medicina Geral e Familiar. Segundo um estudo recente da associação Causa Pública, há “cerca de 1,7 milhões de pessoas, a maioria na Região de Lisboa e Vale do Tejo”, que “continua sem médico de família”.

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