Morreu Almerindo Marques, "um homem com visão" e de "grandes batalhas"

Andreia Miranda , com Lusa
2 dez 2021, 11:36
Almerindo Marques (MANUEL DE ALMEIDA/LUSA)
Almerindo Marques (MANUEL DE ALMEIDA/LUSA)

Gestor e antigo presidente da RTP morreu aos 81 anos. Nuno Santos e Gonçalo Reis recordam o homem e o profissional que esteve à frente da estação pública durante cinco anos

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Almerindo Marques, gestor e antigo presidente da RTP, morreu aos 81 anos. Nuno Santos, diretor da CNN Portugal, recorda-o como um "gestor implacável", que nunca perdeu "a dimensão humana".

"Acompanhei-o de perto entre 2002 e 2007, onde operou uma verdadeira revolução na RTP. Liderou uma mudança empresarial, mudou com o apoio do Governo o modelo de financiamento do operador público, fundiu rádio e televisão, acabou com instalações provisórias de 50 anos. A RTP voltou a ser respeitada e reconciliou-se com os portugueses, quase duplicando a sua audiência", afirma.

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Almerindo Marques esteve à frente da RTP entre 2002 e 2007, tendo depois saído para a Estradas de Portugal (hoje Infraestruturas de Portugal), abandonando depois o cargo em março de 2011.

Para Nuno Santos, o antigo presidente era muito mais que apenas um gestor, "era um homem com visão, obstinado, aparentemente duro, mas com um sentido de humor refinado. "Um português invulgar", acrescenta.

Almerindo Marques foi ainda secretário de Estado da Administração Escolar do I Governo Constitucional e deputado pelo PS entre 1983 e 1985, eleito pelo círculo de Leiria. Exerceu cargos dirigentes em vários bancos, entre os quais na Caixa Geral de Depósitos, e nos últimos anos esteve à frente da construtora Opway.

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"Homem sem medo"

Por sua vez, Gonçalo Reis, que foi presidente da RTP de 2015 a 2021, recorda Almerindo Marques como um "homem sem medo".

"Acima de tudo, era um homem sem medo. Decidido, voluntarista, frontal. Esteve em grandes batalhas, tinha o gosto da ação, a vontade de fazer", afirmou à Lusa.

Gonçalo Reis coincidiu nas equipas de Almerindo Marques, afirmando que o gestor "soube trabalhar com vários governos, de vários quadrantes, sempre com independência e pensando no bem das instituições que geria".

"Um caso exemplar de serviço público e enorme capacidade de gestão", referiu.

Gonçalo Reis não hesita, por isso, em lembrar que o gestor esteve à frente da estação pública numa "fase crucial de reestruturação empresarial, de voltar a colocar a empresa nos trilhos", tendo dito "sempre que sim aos grandes desafios e crescia com as situações difíceis".

 

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