Governo não assume nem exclui comparticipação de medicamentos para obesidade

Agência Lusa , DCT
24 out, 13:04
Obesidade

Manuel Pizarro disse que “o tratamento de excesso de peso e obesidade é muito sério” porque Portugal apresenta “quase 50% da população com excesso de peso ou obesidade e 30% das crianças com excesso de peso ou obesidade”, mas frisou que o foco está na prevenção

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, disse esta segunda-feira que o tratamento da obesidade será alvo de um programa integrado com foco na prevenção e evitou comprometer-se com a possibilidade de os fármacos para esta doença virem a ser comparticipados.

No Porto, à margem de uma visita ao Instituto Português de Oncologia (IPO), Manuel Pizarro foi confrontado pelos jornalistas sobre a polémica em torno do uso, para perda de peso, de um medicamento indicado para a diabetes tipo 2 e com os pedidos de associações de doentes para que os fármacos para tratamento da obesidade sejam comparticipados pelo Estado, tendo respondido: “Não excluo [essa possibilidade] nem assumo”.

“Quando, e se for clinicamente indicado, abordaremos esse tema, mas sempre no contexto de um plano integrado para abordar estas matérias”, acrescentou.

Manuel Pizarro disse que “o tratamento de excesso de peso e obesidade é muito sério” porque Portugal apresenta “quase 50% da população com excesso de peso ou obesidade e 30% das crianças com excesso de peso ou obesidade”, mas frisou que o foco está na prevenção.

“Nas crianças estamos a melhorar. Na população está a ser mais lento. Abordar a questão do excesso de peso e da obesidade é muito mais do que falar de fármacos. Precisamos de um programa integrado para tratar deste assunto e o primeiro alvo é a prevenção. Não estou a excluir a abordagem farmacológica”, referiu.

A 4 de março, aquando do Dia Mundial da Obesidade, a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade e a Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal alertam para a necessidade de uma resposta mais eficaz a esta doença, que é fator de risco acrescido para infetados com covid-19, um alerta que tem vindo a ser reiterado ao longo dos últimos dias.

“Apesar de ser considerada uma doença crónica, diversas barreiras impedem o controlo das taxas crescentes de prevalência da doença e uma intervenção de sucesso", lê-se num documento divulgado por estas instituições.

Entre vários aspetos como a falta de resposta nos cuidados primários de saúde, estas instituições apontam que os fármacos de tratamento da obesidade não são comparticipados em Portugal, algo que defendem para evitar “desigualdade económica no acesso ao tratamento por parte de classes mais desfavorecidas”.

A obesidade afeta 650 milhões de adultos em todo o mundo (13% da população), matando por dia quatro milhões. Em Portugal afeta 1,5 milhões, 16,9% da população.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aponta para 28,7% dos portugueses, colocando Portugal como terceiro país europeu com maior prevalência da doença, atrás da Hungria e da Turquia, o que leva a Federação Mundial da Obesidade a prever que, em 2025, deverão existir 2,4 milhões de obesos no país.

 

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