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Um em cada cinco portugueses tem um problema de Saúde Psicológica. Por isso, é muito provável que nós, um dos nossos amigos, colegas ou familiares venham a experienciar, ou atualmente estejam a experienciar, um problema de Saúde Psicológica. Apesar disso, a Saúde Psicológica está rodeada de preconceitos, ignorância e medo.
No estudo Saúde Mental em Tempos de Pandemia, publicado em 2021 e que abrangeu mais de 6000 portugueses, a ansiedade, com sintomas moderados a graves, afetava 27% dos entrevistados e os sinais de depressão foram identificados em 26%. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2023, 34,3% da população com 16 ou mais anos revelava sintomas de ansiedade generalizada, dos quais 11,1% apresentavam níveis de ansiedade mais graves. Sabe-se também, através de um inquérito realizado no final de 2022, que três em cada 10 portugueses já foram diagnosticados com depressão e seis já sentiram sinais da doença num momento da sua vida.
Muitas vezes, os problemas de Saúde Psicológica são desvalorizados e encarados como caprichos, preguiça, ou falta de carácter: 75% das pessoas com problemas de Saúde Psicológica são alvo destes e de outros preconceitos. No entanto, as doenças mentais são a principal causa de incapacidade ao longo da vida.
Os mitos sobre a depressão e ansiedade, assim como sobre as nossas emoções, influenciam a perceção das pessoas e contribuem para o desconhecimento e para o estigma sobre estas condições.
A ansiedade é uma reação normal ao perigo ou ao stress do dia-a-dia. Pode também ser entendida como uma resposta adaptativa do organismo perante uma ameaça, uma preocupação, ou previsão de um perigo (real ou imaginário) para a integridade física ou psicológica do sujeito. É caraterizada por um conjunto de alterações fisiológicas, comportamentais e cognitivas, que se traduzem num estado de ativação e alerta face ao sinal de perigo ou ameaça. É comum as pessoas sentirem-se ansiosas quando têm problemas no trabalho, antes de passarem num exame ou quando necessitam de tomar uma decisão importante.
No entanto, quando a ansiedade se torna persistente, interfere significativamente nas atividades diárias, através de estados constantes de preocupação, medo e evitação de situações percecionadas como ameaçadoras, pode desenvolver-se para uma perturbação de ansiedade. A perturbação de ansiedade abarca, assim, diferentes tipos de perturbações, como ataques de pânico, agorafobia, fobia específica, perturbação obsessiva-compulsiva, perturbação de ansiedade generalizada ou stresse pós-traumático.
Já a depressão é uma condição que vai além da tristeza temporária. Ela envolve uma sensação persistente de melancolia, perda de interesse ou prazer nas atividades diárias e uma variedade de sintomas físicos e psicológicos. As pessoas frequentemente sentem-se presas numa espiral negativa, onde pensamentos e sentimentos de desesperança, tristeza profunda, culpa e inutilidade dominam suas vidas.
Ambas as condições afetam e são afetadas pela maneira como a pessoa percebe, responde e lida com suas emoções.
Aprender mais sobre as emoções, pode melhorar o nosso bem-estar emocional, aumentar a autocompaixão e ajudar-nos a lidarmos melhor com situações desafiadoras da vida. As emoções são respostas psicofisiológicas (mentais e corporais) a estímulos internos ou externos. São reações naturais que ajudam a sinalizar o que está a acontecer no nosso ambiente e no nosso interior, influenciando as nossas decisões e comportamentos. O nosso cérebro processa os estímulos (externos e/ou internos) e gera uma resposta emocional, que pode ser acompanhada de alterações físicas, como aumento da frequência cardíaca, respiração acelerada ou tensões musculares.
A perturbação de ansiedade e a depressão são condições de saúde mental que podem compartilhar diversos sintomas, tais como fadiga, dificuldades de concentração, alterações no sono, alterações no apetite, irritabilidade, sentimentos de inutilidade ou incapacidade, sintomas físicos como manifestações como dor de cabeça, dores musculares e problemas gastrointestinais.
Sobre perturbação de ansiedade e depressão, existem vários mitos que prejudicam quem sofre com estas patologias e obstaculizam a obtenção de ajuda e a procura de apoio naqueles que são mais próximos. Saiba que:
A perturbação de ansiedade não é:
- Sinal de “fraqueza ou falta de controle”;
- Não é “desculpa”;
- Não é “exagero”;
- Não se resolve com força de vontade;
- Não é uma fase da vida que passa com o tempo;
- Não surge só nos adultos.
A depressão não é:
- Algo “da nossa cabeça”;
- Um sinal de “fraqueza”;
- Algo que dura para sempre;
- Preguiça ou falta de vontade;
- Algo que só acontece aos outros;
- Algo que “faz parte da vida”;
- Coisa de mulheres” ou de “pessoas ricas”.
Importa clarificar que:
- A ansiedade, em grau moderado, é importante para o ser humano, porque o protege de possíveis riscos e perigos.
- A ansiedade não é perigosa. Todas as nossas emoções são importantes e têm importantes funções na nossa vida.
- A tristeza não é um sinal de fraqueza. É uma resposta normal a perdas, desilusões ou mudanças na vida. Reconhecer e expressar tristeza é um sinal de força e autoconhecimento.
- A tristeza não é igual à depressão. Embora a tristeza possa ser um sintoma da depressão, essas duas experiências não são a mesma coisa. A tristeza é uma emoção temporária, enquanto a depressão é um transtorno mental que pode exigir tratamento profissional.
- As pessoas que estão tristes não estão à procura de atenção. Pensar o contrário minimiza a validade das emoções das pessoas. A tristeza é uma resposta legítima a várias experiências de vida e não deve ser desmerecida.
- Não tenho de estar sempre feliz. A cultura contemporânea muitas vezes glorifica a felicidade, fazendo com que as pessoas sintam que devem estar felizes o tempo todo. No entanto, a vida é feita de altos e baixos e sentir tristeza é uma parte importante da experiência humana.
- Quando não conseguimos expressar ou lidar com nossas emoções de maneira ajustada perante situações de tensão e geradoras de stress, relativamente intensas e que persistem ao longo do tempo, pode ocorrer um esgotamento dos “recursos” da pessoa, ou seja, existir uma diminuição significativa de suas capacidades emocionais, cognitivas e físicas para lidar com as exigências externas e/ou internas. Isso pode dar origem a um quadro clínico de ansiedade ou de depressão.
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