O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt
Preocuparmo-nos faz parte da experiência humana. É uma forma de mostrarmos cuidado e responsabilidade, seja connosco, com a nossa família, com o nosso trabalho, com o dia-a-dia ou até com o futuro. Esta tendência natural ajuda-nos a antecipar os desafios quotidianos e a procurar soluções para possíveis problemas e funciona como um mecanismo de proteção que nos ajuda a estar mais aptos para gerir de forma construtiva os vários desafios com que nos podemos ir deparando ao longo da vida. No entanto, quando a preocupação se torna excessiva e começa a interferir de forma significativa no bem-estar diário é sinal de que pode ser necessário parar, refletir e procurar estratégias para recuperar o equilíbrio.
Podemos considerar que é natural e saudável sentirmos momentos de preocupação ao longo do dia, quer com os desafios que podemos estar a vivenciar como também com eventuais situações que podem vir a influenciar o nosso bem-estar e a nossa felicidade ou até com as incertezas que o futuro nos pode ainda reservar.
A preocupação pode ser vista como uma forma de demonstrar cuidado e interesse pela nossa segurança e bem-estar ou como uma forma de encontrar medidas preventivas que permitam evitar potenciais perigos ou ameaças que possam afetar o nosso funcionamento equilibrado.
A preocupação pode também ser entendida como uma forma de demonstrar amor e cuidado, espelhada nos gestos que temos com aqueles que nos rodeiam, como forma de mostrar o quanto os valorizamos e o quão importantes são para nós.
A ansiedade, por sua vez, é uma resposta natural do corpo a uma ameaça percebida, e surge com o propósito de nos preparar para lidar com uma situação de potencial perigo, uma vez que nos deixa em alerta e nos impele a agir para nos mantermos seguros.
Embora a ansiedade possa ser protetora em certas circunstâncias, esta também pode ser uma resposta bastante desajustada, nomeadamente quando surge em momentos em que não há perigo real ou quando é desproporcional à ameaça percebida, e causa sintomas físicos e emocionais que interferem de forma muito significativa com o nosso bem-estar. Se as manifestações de ansiedade nos sobrecarregarem ou se o nível de ansiedade for elevado durante longos períodos, o nosso desempenho poderá ser afectado e torna-se mais difícil lidar com a nossa vida quotidiana.
Paralelamente, também as características dos contextos nos quais estamos inseridos podem influenciar o nosso comportamento enquanto indivíduos. Uma rotina muito agitada, exigências profissionais e familiares constantes, a competitividade, a diminuição de redes sociais de apoio, os desajustes familiares, o desconhecido e o inesperado são alguns dos fatores que podem favorecer um estado de alerta, apreensão e preocupação, que é natural do ser humano nestas situações.
Importa ainda reforçar que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 33% da população mundial sofre de ansiedade, sendo esta percentagem bastante significativa.
Paralelamente, pais ansiosos tendem também a ter estratégias de evitamento pouco saudáveis para lidar com a ansiedade, minimizando ao máximo situações desafiadoras e superprotegendo os seus filhos. Estas atitudes podem igualmente limitar a capacidade das crianças para aprender a enfrentar os desafios da vida de forma saudável, uma vez que não treinam a sua capacidade de resolução de problemas e não desenvolvem os seus recursos individuais para lidar com as situações de forma autónoma.
A ansiedade é uma resposta natural do corpo a situações de stress e preocupação, mas quando se torna demasiado intensa ou frequente, pode interferir significativamente com a nossa qualidade de vida. Aprender a gerir a ansiedade é um processo gradual em que aprendemos a relacionarmo-nos de forma mais ajustada com os nossos pensamentos ou sentimentos.
De entre os vários modelos de intervenção nos quadros de ansiedade disfuncional, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais estudadas e validada na compreensão dos processos ansiedade e identificação de estratégias de regulação emocional.
De entre as várias estratégias possíveis, importa:
- Reconhecer e questionar os pensamentos automáticos. Muitas vezes, a ansiedade surge de interpretações exageradas ou catastróficas (“E se algo correr mal?”, “Não vou conseguir lidar com isto”). Em vez de aceitar estes pensamentos como verdades absolutas, faça uma pausa e pergunte-se:
Que evidências tenho de que este pensamento é verdadeiro?
Já ultrapassei outras situações que contradizem este pensamento?
Existe uma forma mais equilibrada de olhar para a situação?
- Praticar a respiração diafragmática. Respirar de forma lenta e profunda ajuda a regular a resposta fisiológica da ansiedade.
- Fazer uma exposição gradual às situações temidas. Evitar constantemente o que gera ansiedade pode reforçar o problema e aumentar o evitamento. Uma das possíveis estratégias é a exposição gradual: enfrentar progressivamente as situações que provocam desconforto, de forma planeada e estruturada, permitindo que a ansiedade se vá minimizando nessas situações, lentamente.
- Reestruturar o estilo de vida. O corpo e a mente estão profundamente ligados. Hábitos simples podem ajudar a reduzir a vulnerabilidade à ansiedade:
Dormir de forma regular
Manter uma alimentação equilibrada
Praticar exercício físico moderado
Limitar o consumo de cafeína, álcool e nicotina
Rodearmo-nos de pessoas que nos transmitem segurança
Limitarmos as conversas sobre problemas e catástrofes - não nos podemos esquecer que as emoções são contagiosas
- Praticar a atenção plena (mindfulness) e procurar estar mais no presente. A ansiedade vive muito no “e se” do futuro. O mindfulness ajuda a trazer o foco para o momento presente, sem julgamento. Pode começar com pequenos exercícios, como prestar atenção consciente à respiração ou às sensações do corpo.
- Se sentir que a ansiedade está a ter um impacto significativo na sua vida, procurar apoio profissional é um passo importante.
VEJA TAMBÉM:
- Como estabelecer limites saudáveis entre relações pessoais e profissionais?
- O que fazer quando sentimos que estamos a ficar viciados na utilização de ecrãs?
- O que significa ter inteligência emocional e como podemos desenvolvê-la?
- Como saber que nos relacionamos com uma pessoa narcisista?
- A tecnologia pode ser usada para melhorar a saúde mental?
- Como é que a comparação nas redes sociais nos pode afetar psicologicamente, e como evitá-la?
- Como reencontrar motivação nos dias vazios?
- E se o problema não estiver nos outros? Um olhar sobre o narcisismo no quotidiano
- Como diferenciar a ansiedade normal de uma perturbação da ansiedade?
- Como desligar a nossa cabeça, especialmente à noite?
- A meditação e o mindfulness realmente ajudam a melhorar a saúde mental?
- Estes são os mitos mais comuns sobre depressão e ansiedade
- Como distinguir a depressão da tristeza?
- O que fazer quando nos sentimos desmotivados profissionalmente?
- O perfecionismo pode ser prejudicial para a saúde mental?
- Como lidar melhor com a crítica e a rejeição?
- Como promover um ambiente emocionalmente seguro para os filhos?
- Ataques de Pânico e crises de ansiedade - Como distinguir?
- A solidão pode ser prejudicial para a saúde mental? Como lidar?
- Como lidar com relações tóxicas?
- Menopausa e problemas de saúde mental. Qual a relação?
- Como lidar com o medo de andar de avião?
- Como lidar com um familiar com alzheimer?
- Há forma de tratar o medo de aranhas?
- A alimentação interfere na ansiedade?
- Burnout - a que é que deve estar atento?
- Quais os truques mais importantes para equilibrar a nossa saúde mental?
- No inverno há mais depressões?
- Como minimizar o impacto do divórcio dos pais numa criança?
- Um aperto no peito pode ser sinal de ansiedade?
- Depois das festas é normal sentir-se deprimido?
- Quais os hábitos a ter para ter uma saúde mental saudável?
- O bulliyng só acontece às crianças e jovens?
- Porque é que é importante um bebé e uma criança lidarem com a frustração?
- A timidez excessiva tem solução?
- Que riscos trazem as redes sociais para a saúde mental?
- A vontade de comer em excesso pode resultar de causas emocionais?
- Como lidar com a depressão conjugal?
- A raiva excessiva nos adolescentes é normal ou pode ser sinal de alerta?
- Devemos corrigir os esquecimentos de uma pessoa com Alzheimer?
- O que é ter perturbação da personalidade?
- A saúde mental dos pais influencia a saúde mental dos filhos no futuro?
- Como controlar a ansiedade com o dinheiro e com as questões financeiras?
- Qual o impacto que a gravidez pode ter na saúde mental?
- Cyberbullying - Quem são as vítimas e como lidar?
- Fazer dieta pode afetar a minha saúde mental?
- Crianças e adolescentes podem ter depressão grave?
- Ataques de pânico no trânsito. O que devo fazer?
- Como se deve lidar com o stress na tomada de decisões importantes?
- Qual o principal sinal de que um idoso está deprimido?
- Chorar por tudo e por nada é sinal de depressão ou pode ser apenas uma pessoa sensível?
- Um cão ou um gato podem ajudar a combater a ansiedade ou outras dificuldades e problemas de saúde psicológica?
- O medo é psicológico?
- Há vários tipos de ansiedade?
- Ter compulsão por doces é sinal de alguma carência emocional?
- Os ciúmes obsessivos são um distúrbio mental?
- O meu filho tem uma obsessão com a imagem?
- Engordar ou emagrecer rapidamente pode ser um sinal de um problema?
- Qual o efeito do álcool na saúde mental?
- Os castigos mais duros têm impacto bom ou mau no desenvolvimento mental da criança?
- O que no trabalho pode influenciar a nossa saúde mental?
- Ter choro fácil é sinal de que se tem predisposição para a depressão
- O que pode causar um ataque de pânico?
- A dor pode ser psicológica?
- Os videojogos em excesso podem causar problemas de saúde mental?
- Como gerir expectativas e resolver ambivalência? O exemplo do tempo de Páscoa
- Quando é que ter medo de doenças é um problema de saúde mental?
- O álcool pode causar problemas de saúde mental?
- Há mais crianças com défice de atenção?
- O uso exagerado do mundo digital pode ter impacto na saúde mental?
- Quais os sinais de que sou obcecado pelas limpezas?
- Como tratar uma pessoa que anda sempre irritada?
- Porque é que a comida pode ser uma compensação emocional?
- Como é que a autoestima interfere na saúde mental?
- Quando é que a falta de capacidade de concentração nos deve preocupar?
- O que se deve fazer para ser uma pessoa mais positiva?
- Como identificar que as crianças têm uma baixa autoestima?
- Como se preparar para envelhecer bem a nível psicológico?
- A ansiedade está "só na cabeça"?
- Pais ansiosos geram filhos ansiosos?
- Um relacionamento tóxico pode ter um impacto significativo na saúde mental de uma pessoa?
- Como lidar com o medo obsessivo de doenças?
- Como falar com as crianças sobre a guerra?
- Como a perda de um animal de estimação afeta a saúde mental do dono?
- A timidez excessiva pode ser fobia social?
- As crianças que nasceram na pandemia têm tendência para serem menos sociáveis?
- Levar muito tempo a tomar decisões é sinal de alerta?
- Como lidar com a raiva?
- A obsessão com a imagem pode ser um problema para a saúde mental?
- Como lidar com a perda do marido ou mulher?
- A saúde mental melhora no Verão?
- A depressão pode surgir do nada? Quais os sinais de alerta?
- Como é que as pessoas inseguras podem ganhar segurança?
- A alimentação pode influenciar a saúde mental?
- O divórcio pode causar depressão?
- Dificuldade em manifestar sentimentos é sinal de alerta?
- Pessoas tóxicas. Quais os sinais de alerta e os tratamentos?
- Qual o efeito do stress no bem estar mental?
- Durmo mal. Pode ser sinal de depressão e ansiedade?
- A relação das mães ou cuidadoras com os filhos influencia a saúde mental destes?
- Como lidar com a ansiedade financeira?
- O que esconde uma depressão?
- Como acabar com a baixa autoestima?
- Devemos falar sobre dinheiro com as crianças?
- Qual o impacto psicológico de um desgosto de amor?
- Andar sempre irritado é sinal de alerta?
- Qual o impacto que o sono tem na saúde