"Nós estamos num país pobre, metam isso na cabeça", diz José Pacheco Pereira - que lamenta o que o Governo fez com a lei laboral

17 nov, 10:22

 

 

Houve "Princípio da Incerteza" este domingo. Pedro Duarte considera "desproporcionada" a greve geral, convocada devido às propostas do Governo para um nova lei laboral - propostas essas de que Alexandra Leitão discorda e que Pacheco Pereira queria ter visto no programa eleitoral do Govero

José Pacheco Pereira rejeita a ideia de que a greve geral marcada para 11 de dezembro seja prematura e acusa o poder político de desvalorização da realidade social, considerando que tal "começou com a história dos imigrantes e agora começa com a lei laboral". "Nós estamos num país pobre, metam isso na cabeça, e esse país pobre significa que toda a prioridade da ação governativa, em primeiro lugar, devia ser combater a pobreza - e não é, começou com a história dos imigrantes e agora começa com a lei laboral. Qual é o problema da lei laboral? A lei laboral não tem nenhuma medida em bom rigor que beneficie a relação entre o capital e o trabalho. Nenhuma".

O comentador sublinha que os aumentos salariais não têm travado o aprofundar da pobreza e que a precariedade e o custo da habitação empurram trabalhadores para condições de vida insustentáveis. A prioridade, defende, não é modernizar a lei laboral, mas combater a desigualdade e proteger quem trabalha. "Pode discutir-se se fazer uma greve nestas circunstâncias é a melhor maneira de fazer a defesa - admito que essa discussão se possa ter, mas ainda é cedo para saber isso. A ameaça da greve é o equivalente ao anúncio das medidas - que, aliás, não faziam parte do programa eleitoral. E não é por acaso porque não se quis colocar esta discussão onde ela devia ter sido colocada, que é no processo eleitoral, não se disse nada sobre esta matéria e agora avança-se com um conjunto de medidas. Essas medidas, na maioria dos casos, tornam mais precária a relação laboral, tornam mais duras as condições de trabalho", afirma o comentador da CNN Portugal.

Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, considera “desproporcionada” a greve geral marcada para 1 de dezembro. Para o social-democrata, a UGT procura “uma prova de vida”, mas esse gesto “não deve ser feito à custa da estabilidade do país” - Portugal vive “uma situação económica invejável” e a contestação chega “sem que exista sequer uma proposta final” de alteração ao Código do Trabalho, defende.

"Confesso que não consigo compreender a greve geral. Parece-me sim que é uma jogada de, se quisermos, uma prova de vida que os sindicatos eventualmente estejam. Percebo isso, mas acho que isso não deve ser feito à custa da estabilidade do nosso país, à custa de uma certa tranquilidade social que felizmente temos vindo a viver e que beneficia a todos."

Já Alexandra Leitão, antiga ministra e deputada socialista, defende que o problema central está no rumo da reforma proposta, referindo que "o poder político devia preocupar-se em mitigar a desigualdade, não em fazer uma reforma que desequilibra a legislação contra o trabalhador”. "Eu também concordo que para se pagar mais aos trabalhadores é preciso gerar riqueza. O grave é que mesmo quando se gera mais riqueza ela não está a ser distribuída equitativamente entre os rendimentos do trabalho e os rendimentos do capital. E os avanços tecnológicos fizeram aumentar este fosso."

A comentadora considera ainda que o pacote laboral favorece despedimentos, agrava vínculos precários e aumenta o fosso entre rendimentos do capital e do trabalho. "O que devia preocupar o poder político é como encolher a desigualdade, como mitigar a desigualdade. E não é fazendo uma reforma laboral que desequilibra ainda mais a legislação contra o trabalhador que nós vamos contribuir para diminuir a desigualdade. Pelo contrário, vamos contribuir para aumentar a desigualdade e com ela vamos aumentar o ressentimento, vamos aumentar o extremismo, vamos aumentar o tal radicalismo de que todos têm tanto medo. E, francamente, esta reforma não resolve nada, não vem resolver nada, não mexe na parte das tecnologias, não mexe em nada, e vai ainda aumentar o fosso, que já é grande."

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