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Suplementos alimentares: 5 regras essenciais para não desperdiçar dinheiro nem arriscar a saúde

CNN , Andrea Kane
30 ago 2025, 19:00
Siga dica profissional: procure suplementos que apresentem apenas um ingrediente botânico na sua composição. d3sign/Moment RF/Getty Images

Saiba como escolher suplementos com segurança, identificar produtos de qualidade e evitar gastos desnecessários, segundo um especialista

Dê uma volta pela secção de suplementos de qualquer farmácia e irá deparar-se com uma parede repleta de opções. Não apenas os habituais, como vitaminas e minerais, mas também itens tão variados como cúrcuma, óleo de peixe, probióticos e melatonina, bem como combinações que prometem queimar gordura (e não músculo!), curar a disfunção erétil e melhorar a memória. A variedade de opções não se fica por aqui. Inúmeras publicações nas redes sociais afirmam que um suplemento ou regime revolucionário o ajudará a eliminar a "barriga de cortisol", a proteger-se contra a gripe ou a "reiniciar" as suas hormonas.

Mas quantas coisas precisamos, afinal, de comprar para otimizar a nossa saúde e ter a melhor vida possível? Toda esta agitação em torno dos suplementos causa confusão e ansiedade, ofuscando a ciência existente e tornando difícil separar os factos das ilusões.

Em termos simples, estes produtos destinam-se a complementar a alimentação com "ingredientes dietéticos" adicionais. Embora não seja errado pensar que a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA regula os suplementos, a verdade é que a agência o faz provavelmente de forma diferente da que se imagina.

Graças à Lei de Saúde e Educação sobre Suplementos Alimentares (DSHEA) de 1994, os suplementos são regulamentados mais como uma subcategoria de alimentos do que como uma subcategoria de medicamentos. Isto significa, essencialmente, que a FDA não tem autoridade para aprovar suplementos alimentares antes da sua comercialização, ao contrário dos produtos farmacêuticos, que têm de demonstrar a sua segurança e eficácia em ensaios clínicos.

"A DSHEA é a estrutura atual na qual todos os suplementos alimentares são vendidos", explica Pieter Cohen, defensor da segurança dos suplementos, ao correspondente médico-chefe da CNN, Sanjay Gupta, no seu podcast Chasing Life.

A lei permitiu, em parte, que a indústria aumentasse de cerca de 4.000 produtos em 1994 para aproximadamente 90.000 em 2017, segundo estimativas de um documento da AMA Journal of Ethics de 2022.

"Inicialmente, a lei de 1994 foi concebida para regulamentar melhor as vitaminas e os minerais", explica Cohen, professor associado de medicina na Harvard Medical School e especialista em medicina interna na Cambridge Health Alliance, onde lidera o Programa de Investigação sobre Suplementos. "Infelizmente, na minha opinião, o que aconteceu foi que a mesma estrutura foi ampliada para incluir... todos os tipos de produtos botânicos; muitos tipos diferentes de extratos, como extrato de tiroide bovina, microrganismos vivos, como bactérias e leveduras, que são vendidos como probióticos; proteínas em pó; aminoácidos. Tudo isto foi agrupado sob a mesma estrutura e todos estes produtos passaram a ser designados como 'suplementos alimentares' ou 'componentes dos suplementos'".

A FDA tem algum poder para tomar medidas contra suplementos adulterados ou com rótulos falsos, mas apenas depois de estarem no mercado. "A FDA está na posição de procurar problemas no mercado após os suplementos serem colocados à venda e, em seguida, tentar identificá-los, o que é incrivelmente difícil, pois não existe um sistema eficaz para detetar efeitos nocivos. Posteriormente, pode tentar retirar esses produtos perigosos do mercado", explica Cohen.

Embora existam regulamentações, "são as empresas que nos vendem o que querem declarar e identificar como suplemento alimentar", afirma. Cohen descreve isto como "um sistema que privilegia o acesso e minimiza as garantias de segurança, ou, pelo menos, deixa a segurança a cargo do fabricante".

O que devem os consumidores fazer antes de gastar dinheiro em lojas de produtos naturais? Cohen explica o que deve saber sobre as promessas dos produtos e oferece cinco dicas para decidir que suplementos comprar, manter ou descartar.

A verdade sobre os rótulos dos suplementos

A forma como a FDA pode ou não regulamentar a indústria dos suplementos não aborda sequer a questão do que realmente funciona e do que pode ser necessário.

Embora alguns estudos mostrem que certas vitaminas ou minerais bem conhecidos podem ajudar em condições específicas, as recomendações mudam frequentemente à medida que surgem novas informações. Os ensaios clínicos de boa qualidade são caros e difíceis de realizar (ou os dados são recolhidos por meio de estudos epidemiológicos, pelo que a relação de causa e efeito não pode ser comprovada de forma definitiva); raramente são realizados em suplementos menos conhecidos (ou combinados).

O rótulo exigido nos suplementos dos EUA ocupa, essencialmente, uma zona cinzenta e o consumidor médio pode não saber o que deve ler nas entrelinhas. Um rótulo pode conter uma afirmação sobre o efeito do suplemento na estrutura ou função do corpo (por exemplo, "ajuda a manter a flexibilidade"). No entanto, de acordo com a DSHEA, o rótulo "não pode alegar diagnosticar, mitigar, tratar, curar ou prevenir uma doença ou classe específica de doenças".

A lei permite que os fabricantes façam essas alegações numa zona cinzenta relacionada com a saúde, desde que incluam um aviso de que a alegação não foi avaliada pela FDA.

Esta situação provavelmente não mudará tão cedo.

"Uma das principais preocupações que tenho com o atual enquadramento regulamentar, que realmente nos impede de avançar, é a ausência de incentivos para que os fabricantes realizem ensaios clínico rigorosos", afirma Cohen.

"Uma coisa de que ainda não falámos é o facto da lei permitir que os suplementos possam alegar ter efeitos na saúde sem que isso seja comprovado em seres humanos", observa. "Uma vez que é possível fazê-lo sem realizar um ensaio clínico, qual é o interesse em investir milhões de dólares?"

"O único potencial resultado é negativo - porque, se estiver certo, já o estava a anunciar como benéfico para a saúde e tudo o que fez foi provar que a sua afirmação está correta", afirma. "No entanto, se não funcionar como esperado e todo esse dinheiro for desperdiçado, então terá um problema. Porém, a boa notícia é que ainda pode continuar a vendê-lo como se funcionasse, mesmo que os estudos sejam negativos."

Procure um selo de qualidade

A FDA tem certas regras de boas práticas em vigor no que diz respeito à produção, mas não tem supervisão para garantir que o que está indicado no rótulo está realmente presente no suplemento, segundo Cohen. É por isso que é essencial escolher suplementos com um olhar crítico.

"Deite fora todos os suplementos que não incluam os selos oficiais da NSF (NSF International) ou da USP (US Pharmacopeia)", aconselha Cohen por e-mail, referindo-se a duas agências independentes e sem fins lucrativos que testam os suplementos e, posteriormente, os certificam.

"A FDA não testa os suplementos antes de estes serem comercializados", afirma. "A menos que os suplementos tenham sido certificados por uma organização independente de elevada qualidade, como a NSF ou a USP, não é possível saber o que realmente contém o frasco."

"Ambos os grupos analisam em profundidade a qualidade da produção", aponta Cohen a Gupta no podcast. "Eles analisam os ingredientes originais utilizados para que, quando os consumidores comprarem este produto online ou numa loja, o rótulo represente com precisão o seu conteúdo."

Outro organismo de avaliação independente de renome é o ConsumerLab.com.

No entanto, tenha em mente que nenhuma destas organizações testa a eficácia dos suplementos, ou seja, se estes fazem o que afirmam fazer.

"Se um suplemento afirmar que é bom para a saúde intestinal ou que aumenta a imunidade, essas afirmações não são avaliadas por estas empresas", explica Cohen a Gupta. "As empresas apenas verificam - o pó na embalagem corresponde ao que está indicado no rótulo?"

Evite produtos com vários ingredientes

Uma boa regra, ao verificar a lista de ingredientes dos suplementos, é que menos é mais.

"Deite fora todos os suplementos que contenham dois ou mais ingredientes botânicos no rótulo", aconselha Cohen.

"Os fabricantes não são obrigados a divulgar os detalhes de cada ingrediente quando misturam vários ingredientes botânicos no mesmo suplemento", acrescenta. Por exemplo, pode não saber a proporção de um ingrediente em relação aos outros, o grau de frescura de cada um ou o processo de preparação e combinação de cada um.

"A única forma de garantir que são fornecidas informações suficientes sobre o ingrediente botânico no rótulo é optar por suplementos com apenas um ingrediente", afirma.

Desconfie de afirmações vagas

Ao comprar suplementos alimentares, evite produtos que aleguem, de forma vaga, promover benefícios para a saúde, como "aumentar a imunidade" ou "melhorar a cognição".

"As afirmações sobre suplementos não são verificadas pela FDA e os fabricantes não são obrigados a realizar estudos que comprovem os benefícios dos suplementos antes de os colocarem à venda", sublinha.

Cohen aconselha a evitar suplementos com este tipo de alegações e a "obter informações sobre os benefícios e os riscos dos suplementos a partir de uma fonte fiável e independente, como o Office of Dietary Supplements (Gabinete de Suplementos Alimentares) dos Institutos Nacionais de Saúde."

Verifique a validade

Os suplementos podem perder a eficácia ou, no caso do óleo de peixe, até mesmo estragar-se.

"Deite fora todos os suplementos que estiverem fora do prazo de validade", aconselha Cohen.

"É improvável que os suplementos fora do prazo de validade contenham a quantidade correta de ingredientes ativos indicada no rótulo", explica.

Siga as instruções do seu médico

É importante incorporar na sua rotina de forma consistente qualquer suplemento que lhe tenha sido prescrito. Após a consulta de avaliação de saúde anual, o seu médico pode recomendar a toma de suplementos de ferro, vitamina B12 ou vitamina D com base nos resultados dos exames de sangue.

"Tome todos os suplementos que o seu médico recomendar", aconselha Cohen.

"Muitos suplementos vitamínicos e minerais são essenciais para tratar uma variedade de problemas de saúde, por isso, se o seu médico recomendar um ou mais suplementos, lembre-se de os tomar regularmente", acrescenta.

Precisa de tomar suplementos?

A maioria das pessoas saudáveis provavelmente não precisa de tomar sequer um multivitamínico, segundo Cohen.

"A minha experiência clínica mostra-me que, independentemente da forma como as pessoas se alimentam, desde que não sigam uma dieta altamente restritiva, obtêm vitaminas e minerais suficientes", revela a Gupta.

"Mesmo que comam principalmente alimentos industrializados ou processados, ou que cultivem tudo na sua própria horta, devido à suplementação (no sistema alimentar), não vejo deficiências vitamínicas graves no meu consultório."

É claro que não é má ideia consultar o seu médico antes de começar a tomar um novo suplemento e informá-lo durante o seu exame anual sobre o que está a tomar atualmente. Alguns suplementos podem interagir com certos medicamentos e outros não devem ser utilizados por pessoas com determinadas condições de saúde.

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