Juntar mel ao chá quente dá cabo dos efeitos terapêuticos? Engula uma colher de certezas

15 mar, 12:00
Mel (Pexels)

Sabia que são precisas mais de 10 abelhas para produzir um grama de mel? Então, mesmo que ele tenha efeitos terapêuticos, não se arme em ursinho Pooh, a colocar este ingrediente em tudo

Quantas vezes, quando a garganta começa a fraquejar, lhe sugeriram um chá quente com mel? A sabedoria popular tem a sua razão, pelo menos nos efeitos terapêuticos do mel. Porque a mistura com o calor pode deitar muito a perder.

“O mel tem pequenas quantidades de antioxidantes, compostos bioativos e enzimas, especialmente quando é cru e pouco processado, e parece ter um efeito calmante na tosse e na garganta irritada”, explica a nutricionista Lillian Barros.

O problema está no facto de os compostos bioativos e algumas enzimas do mel serem “sensíveis ao calor”. Por isso, quando aquecido a temperaturas muito elevadas, como “um chá muito quente ou cozedura, parte desses componentes pode degradar-se”.

Há uma perda de eficácia, mas não é total. Continuam a existir efeitos calmantes para a nossa garganta. Se quer rentabilizá-los, experimente, por exemplo, deixar o chá arrefecer.

“Não devemos utilizar mel com fins medicinais de uma forma indiscriminada. Do ponto de vista metabólico, continua a ser uma fonte concentrada de açúcares simples”, adverte Conceição Calhau, nutricionista e professora na Nova Medical School.

Na sua essência, o mel não deixa de ser açúcar (Pexels)

Não é por ser natural que passa a ser saudável

O mel pode ter efeitos terapêuticos, sim, mas não é razão para andar a usá-lo sem peso nem medida, por achar que é melhor do que o açúcar.

“Contém pequenas quantidades de compostos bioativos, mas isso não significa que deva ser usado livremente como alternativa ‘saudável’ ao açúcar. Não devemos usá-lo dessa força”, alerta Conceição Calhau.

“Não é inofensivo nem deve ser usado livremente só porque é natural”, junta Lillian Barros. Porque, na sua essência, o mel continua a ser constituído maioritariamente por açúcares. “E, como tal, tem impacto na glicemia e fornece calorias semelhantes ao açúcar comum”.

Falamos sobretudo de frutose, que tem um poder adoçante superior ao da sacarose que encontramos no açúcar branco. É digerida diretamente no nosso intestino e, quando passamos o limite recomendado – algo fácil de acontecer, dado que está escondida em muitos produtos processados que consumimos diariamente -, contribui para a produção de gordura no nosso corpo e, logo, para o excesso de peso – com as complicações que a ele estão associadas.

“Do ponto de vista metabólico, continua a ser uma fonte concentrada de açúcares simples”, resume Conceição Calhau.

Quer uma alternativa para uma vida mais doce? Aqui vai: “a fruta deve ser o nosso doce diário. Fornece frutose, mas acompanhada de fibra, água, vitaminas, minerais e compostos bioativos com efeitos metabólicos muito importantes. Para a maioria das pessoas, a fruta é o nosso doce e isso é suficiente”.

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