“O que mais queria era que Cabrita fosse castigado". Viúva do trabalhador acusa ex-ministro de "fugir às responsabilidades"

17 dez 2021, 20:24
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Marta revela que o ex-ministro nunca lhe telefonou e que no funeral não estava nenhum membro do Ministério da Administração Interna. Queixa-se de "falta de apoio do Estado", obrigando-a a recorrer à solidariedade de terceiros para sustentar as duas filhas

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Um telefonema, uma carta de condolências e, no funeral, apenas um ramo de flores. Foram estas as únicas interações entre o Ministério da Administração Interna e a viúva de Nuno Santos, trabalhador atropelado mortalmente pelo carro do ex-ministro Eduardo Cabrita na A6.

Em entrevista a Manuel Luís Goucha, na TVI, Marta revelou ainda que o antigo ministro da Administração Interna nunca a contactou diretamente e que, no dia do enterro, nenhum membro do ministério esteve presente. A companheira do falecido lembra que no "fatídico dia", 18 de junho, recebeu um telefonema de um elemento do ministério, que lhe disse que "mais tarde iriam falar sobre outros assuntos", mas que tal nunca se verificou. 

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“Magoa muito. Não estava à espera que ninguém dissesse nada. Um apoio, um telefonema… Ainda pensei que me ligassem”, aponta.

 

Apesar de ao volante do carro seguir o motorista Marco Pontes, a agora viúva acredita que o ex-ministro não está isento de culpas. Marta sublinha que o veículo seguia em "excesso de velocidade", a 163 km/h, e que Cabrita não terá dito nada contra essas circunstâncias.

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“O que eu mais queria era que ele [Eduardo Cabrita] fosse castigado. Acho que está a pôr as culpas em pessoas, mas acho que tem muita culpa”, refere Marta.

Questionada sobre as declarações e a demissão de Cabrita, a companheiro do trabalhador falecido apenas diz que "aquele senhor não tem coração" e que está "a fugir dos problemas todos”.

A companheira do trabalhador falecido garante que não está à procura de qualquer forma de "vingança", mas sim de "justiça". Marta revela que, de acordo com os colegas de Nuno Santos que estavam no local, as teorias que dizem que não havia sinalização de obras ou que a vítima mortal estava sem colete refletor não passam de "mentiras".

“Acidentes acontecem, qualquer pessoa que ande na estrada pode ter um acidente. Seja ministro ou outra pessoa, só quem não anda na estrada é que não pode ter acidentes. E para esse senhor [Eduardo Cabrita] parece que não foi nada com ele, foge das responsabilidades todas”, diz.

A viúva confidenciou que tem sentido uma clara “falta de apoio do Estado” e que a família sobrevive graças à solidariedade de terceiros. A mulher recebe 173,27 euros de pensão da Segurança Social, a que se juntam 43,32 euros por cada uma das duas filhas.

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No entanto, Marta garante que tem recebido vários apoios de vizinhos e até pessoas que não conhece, como acontece com a renda da casa em que habitam, que tem sido paga por um homem que nunca viu.

Marta explica que o atropelamento não foi o primeiro acidente que Nuno Santo havia sofrido durante o trabalho. Em março, quatro meses antes do caso com o carro de Eduardo Cabrita, o trabalhador havia sido abalroado por um camião que se despistou, quando estava no interior da carrinha de serviço.

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