Revelações feitas em entrevista à CNN Portugal
Portugal não vai gastar um euro para fazer parte, como observador, de um dos projetos europeus para o desenvolvimento do caça de sexta geração. A garantia é dada pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, em entrevista à CNN Portugal.
“O propósito é esse mesmo: fazer parte do projeto como observador. E isso coloca-nos numa posição que diria avançada em relação àquilo que será necessariamente o futuro”, diz o ministro. Para já, assegura, “não está sequer em cima da mesa a substituição dos F-16”.
Nuno Melo diz que Portugal está a investir “largamente na capacidade no espaço das Forças Armadas, nomeadamente através da Força Aérea - mas não só”. O país já possui cinco satélites, três em operação, e prepara-se para receber dois novos no próximo ano - e “há um que vai ser construído e produzido em Portugal”, facto que, diz, tem impacto económico. O satélite vai ter aplicações que vão da segurança às alterações climáticas.
Sobre a discussão em torno do novo aeroporto, o ministro lembra que o atual aeroporto de Lisboa já permite operações militares, através da presença de um AT1, e que o mesmo pode acontecer na futura infraestrutura na Margem Sul. E frisa algumas regras: “A primeira é nunca pôr em causa o Estado social; a segunda é não só não prejudicar a economia, mas reforçá-la”.
Nuno Melo fala ainda no compromisso de aquisição de aeronaves A29 Tucano por 200 milhões de euros, que vão ser transformadas em A29 Super Tucano, com especificações da NATO. Essa adaptação, num investimento adicional de 70 milhões, vai ser feita por empresas portuguesas. “O retorno para a economia nacional é muito grande”, assegura o ministro, que não consegue fazer previsões desse impacto - mas afirma que vai ser expressivo. “Tendo em conta os projetos aquisitivos e a necessidade de envolvimento de micro e pequenas e médias empresas portuguesas em todo o processo, sabemos que estamos a assegurar a criação de muitos postos de trabalho que pagam salários mais altos.”