A morte do Papa Francisco traz mais um processo de escolha do novo Papa. Alguns nomes já se perfilam para suceder a Francisco, e ocupar o lugar mais importante da Igreja Católica
A plataforma online Cardinalii Collegii Recensio, liderada por uma equipa de jornalistas e especialistas em assuntos do Vaticano, organizou uma lista de vários nomes que se podem tornar numa escolha. Um deles é português.
Cardinalii Collegii Recensio elaborou uma lista de 22 nomes que têm a maior proabilidade de sucederem a Francisco no lugar cimeiro da Igreja Católica. Desses, deixamos aqui um perfil de nove papáveis.
Tolentino de Mendonça, 59 anos, Portugal
Embora apareça nos últimos lugares da lista elaborada pelo Cardinalium Colleggi Recensium. Tolentino de Mendonça é uma das figuras que se perfila para suceder a Francisco.
É descrito como uma figura emergente na religião católica, com uma forte afinidade com o Papa Francisco. É poeta, ensaísta, pensador e amante da literatura.
Anders Arborelius, 75 anos, Suécia
Tornado cardeal a 26 de junho de 2016, pelo próprio Papa Francisco, defende alguns dogmas da Igreja como o celibato sacerdotal e a oposição à ordenação de mulheres. Com uma posição mais conservadora, tem-se juntado aos que querem celebrar a missa tradicional em latim.
Tem uma forte preocupação com o meio ambiente e apoia a lei internacional contra o ecocídio.
Posiciona-se ao lado do Papa Francisco em temas como a migração.
De acordo com o Cardinalium Colleggi Recensium, Anders Arborelius posiciona-se num dos primeiros lugares na lista dos papáveis.
Fridolin Ambongo Besungu, 65 anos, República Democrática do Congo
Foi tornado cardeal pelo Papa Francisco em 2019 e, no ano seguinte, foi nomeado pelo Santo Padre para o Conselho dos Cardeais.
Defende a família, o celibato sacerdotal e a doutrina moral da Igreja. É conhecido por ter resistido à Fiducia Supplicans, uma declaração que permite aos sacerdotes católicos que abençoem casais em união de facto, ou casados de acordo com outras doutrinas religiosas, incluindo casais do mesmo sexo. Negociou habilmente com o Vaticano uma opção de não participação na declaração.
Fridolin Ambongo Besungu descreve-se a si próprio como uma “sentinela” e tem uma posição clara quando se trata de questões políticas e de justiça social.
De acordo com o Cardinalium Colleggi Recensium, encabeça a lista dos papáveis. Tem a vantagem de nunca ter havido um Papa africano e esse pormenor ser sempre falado quando se elege um novo chefe da Igreja Católica.
Jean-Marc Aveline, 66 anos, França
Aparece em terceiro lugar da lista elaborada pelo Cardinalium Colleggi Recensium.
É conhecido por ser politicamente correto e manter sempre uma atitude cautelosa sobre assuntos que podem criar controvérsia dentro da Igreja. Não se sabe o que pensa sobre a ordenação de mulheres, o celibato sacerdotal, o acesso à comunhão para divorciados recasados ou a união de pessoas do mesmo sexo.
Angelo Bagnasco, 82 anos, Itália
Surge em quarto lugar na lista do Cardinalium Colleggi Recensium. Por causa da idade, já não pode votar na eleição do novo Papa, mas pode ser eleito. Tem contra si, precisamente a idade, já que a Igreja Católica precisa de uma figura mais jovem e que se possa manter no cargo durante vários anos.
O Cardeal Bagnasco é amplamente respeitado, reconhecido como um homem de inteligência aguda, alta cultura, profunda compaixão e intensa espiritualidade. E alguém capaz de combinar estas qualidades com amabilidade e uma natureza gentil.
Defensor fervoroso do ensino ortodoxo da Igreja na praça pública, mais próximo do que defendia João Paulo II e Bento XVI.
Charles Bo, 76 anos, Mianmar
Em quinto lugar da lista do Cardinalium Colleggi Recensium, surge Charles Bo, conhecido como um homem de vários ofícios. É dramaturgo, tem um especial gosto pelo desporto, jogando futebol e basquetebol com outros padres.
Nas suas declarações públicas evita frequentemente questões relativas a temas polémicos da Igreja. Apesar de nunca ter expressado publicamente a sua opinião sobre o assunto, quem o conhece diz não é a favor da ordenação de mulheres, tornar o celibato sacerdotal uma opção e dar a bênção a casais do mesmo sexo.
Sendo um cardeal asiático, tem também essa vantagem.
Willem Eijk, 71 anos, Países Baixos
Ortodoxo, conservador e pró-vida. Por causa da sua experiência como médico e teólogo moral, já falou de questões relativas à eutanásia e à fertilização in vitro. É abertamente contra o divórcio e as relações homossexuais.
Embora tenha tido a desagradável tarefa de encerrar muitas paróquias na Holanda, um empreendimento que atraiu críticas consideráveis de todos os quadrantes, fê-lo sobretudo a pedido da própria Igreja local e em diálogo com as pessoas afetadas por essas decisões. Não se deixou dissuadir pela impopularidade que tais ações lhe trouxeram.
Embora tenha compaixão pelos refugiados e sublinhe a necessidade de cuidar deles, especialmente dos cristãos que fogem da perseguição, Eijk afirma que os migrantes económicos são muitas vezes obrigados a construir os seus países de origem; e têm obrigações para com o país para onde imigram. Também falou com clareza sobre as diferenças fundamentais entre o Islão e o Cristianismo. Valoriza a reverência na liturgia, mas até agora tem-se mantido afastado da questão polémica da restrição da missa tradicional em latim.
Pierbattista Pizzaballa, 59 anos, Jerusalém
Surge em 16º lugar na lista do Cardinalium Colleggi Recensium. Apesar de serem pouco conhecidas as suas posições, é possível perceber o desejo de respeitar as tradições e as práticas da igreja ortodoxa, enquanto está aberto à modernidade.
Tem várias semelhanças com o Papa Francisco, desde logo a preocupação com os migrantes e o diálogo inter-religioso.
Acredita que a igreja é aberta a todos, mas isso não significa que "pertença a todos". Enfatiza a importância da justiça social, direitos e deveres, mas sublinha que o "ponto de partida tem que ser a fé".
Luis Antonio Tagle, 67 anos, Filipinas
À semelhança de Tolentino de Mendonça, aparece nos últimos lugares dos papáveis do Cardinalium Colleggi Recensium, é visto por muitos como “o Francisco Asiático”. Já foi considerado em tempos como o preferido a suceder ao Papa. É uma pessoa próximo do povo.
As suas posições são geralmente progressistas e pró-Francisco dão a indicação que muito provavelmente apoiará a bênção de casais do mesmo sexo.
