Chega ocupa sala do CDS no Parlamento: "É um lembrete que temos para sermos fiéis às nossas causas"

29 mar, 15:32
Sala do grupo parlamentar do Chega. Foto: Direitos Reservados

A sala que durante quatro décadas pertenceu ao CDS-PP é agora ocupada pelo partido de André Ventura. A CNN Portugal esteve com os novos deputados do Chega no dia em que estrearam o novo escritório, que revelaram: "Não mudámos nada"

Foram 47 anos de história com lugar cativo num dos corredores do Andar Nobre da Assembleia da República. O CDS-PP viu a sala que até agora lhe pertenceu ser tomada pelos 12 deputados eleitos pelo Chega.

O histórico partido democrata-cristão perdeu o assento parlamentar nestas legislativas antecipadas e o partido fundado em 2019 por André Ventura ficou com a sala para acolher os novos deputados. A CNN Portugal esteve nas novas instalações do grupo parlamentar do Chega, que se apresentou ao serviço pela primeira vez esta terça-feira.

Rita Matias, estreante nas funções de deputada, foi um dos primeiros elementos a ocupar o gabinete, que, embora maior que o anterior, rapidamente ficou preenchido antes da primeira sessão plenária.

Grupo parlamentar do Chega antes da primeira sessão plenária

Ficar na sala do CDS pode até ter um significado. "Acima de tudo é um lembrete para nós enquanto partido que temos de ser fiéis às nossas causas, fiéis aos nossos militantes e aos nossos simpatizantes e que não nos podemos esquecer de quem nos colocou aqui", afirmou a deputada à CNN Portugal. E a verdade é que, na sala propriamente dita, pouco mudou: "Não mudámos nada, tirámos duas secretárias que estavam aqui", confessou.

Para além de ficar com o espaço do CDS, o Chega, agora terceira força política, vai manter os gabinetes que tinha como deputado único na Sobreloja do Palácio, bem como mais sete gabinetes no mesmo espaço.

A nova configuração dos corredores

Nesta legislatura não há partidos estreantes, mas desapareceram duas forças políticas do Parlamento: além do CDS-PP, que tinha presença desde 1976, o Partido Ecologista “Os Verdes”, apesar de nunca ter ido a votos sozinho, tinha assento graças à coligação com o PCP.

Os resultados das eleições antecipadas levaram a reconfigurações e a ocupações de salas que deixaram de ter dono. E não foi só o espaço do CDS que sofreu mudanças. Uns metros ao lado, no mesmo corredor, também o Bloco de Esquerda (BE) - que passou de 19 para cinco deputados - deixou a Sala Lisboa para a entregar à Iniciativa Liberal (IL) - que deixou a condição de deputado único para um grupo parlamentar de oito deputados. Ora, com a nova configuração, bloquistas e liberais passam a ser vizinhos.

O grupo parlamentar da IL, para além da sala que era do BE no Andar Nobre, ficará com seis gabinetes na Sobreloja, entre o Andar Nobre e o piso das comissões parlamentares no rés-do-chão. A Sobreloja também acolherá os deputados únicos dos deputados únicos do PAN e do Livre.

O gabinete do Secretário-Geral da Assembleia da República falou à Lusa sobre esta reorganização espacial do parlamento na sequência das eleições, tendo sido explicado que os grupos parlamentares do PS e do PSD "mantêm os gabinetes que ocupam nos quatro pisos do Novo Edifício bem como os que ocupam no Andar Nobre, junto ao Hemiciclo".

O PS, que com a maioria absoluta conseguida aumentou o número de mandatos, passou ainda a ocupar os gabinetes que o PAN e o PEV tinham no corredor entre a Biblioteca e o Novo Edifício.

 

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