Novas tabelas foram publicadas esta terça-feira em Portal das Finanças e começam já a produzir efeitos. Veja as simulações da Ilya e da PwC para descobrir quanto pode vir a poupar todos os meses
As tabelas de retenção na fonte de IRS publicadas hoje em Diário da República e no Portal das Finanças podem ser consultadas aqui. Mas para calcular o seu caso e perceber quanto diminuiu o imposto que lhe vai ser cobrado mensalmente é preciso, primeiro, recuar a 2025: ou consultando as tabelas que estavam em vigor no ano passado, a partir de 1 de outubro, aqui, ou verificando no seu recibo de ordenado quanto é que lhe era descontado a título de IRS.
A partir das tabelas é encontrar o seu caso. Damos um exemplo:
. imagine que é um contribuinte solteiro ou faz parte de um casal em que ambos são titulares de rendimento; e imagine que o seu rendimento mensal bruto é de 2.050 euros por mês - nesse caso, olhe para esta tabela:
. depois de olhar para a tabela, tem de procurar em que escalão se encontra: no caso do salário bruto de 2.050 euros por mês ficará sujeito a uma taxa marginal máxima de 31,1%. Para calcular a retenção a fazer teria de multiplicar os 2.050 euros por 0,311, o que dá 637,55 euros. Mas, depois a este valor ainda terá de retirar a parcela a abater, que no caso dos 2.050 é de 320,66 euros. Assim, o IRS a reter vai ser de 316,89 euros.
Em 2025, para este mesmo exemplo, a taxa marginal máxima era de 31,4%, ou seja, para calcular a retenção teria de se fazer 2.050*0,314, o que daria 643,7 euros. Mais uma vez, há ainda a retirar a parcela a abater, que em 2025, para este rendimento, era de 309,9 euros. Ou seja, o IRS a reter mensalmente era de 333,8 euros.
Concluindo, em 2025, a partir de outubro, este salário de 2.050 retinha de IRS 333,8 euros e este ano vai reter 316,89 euros. Na prática, há um ganho de 16,91 euros.
Ainda é preciso ter em atenção um detalhe: a diferença entre o salário bruto e aquilo que efetivamente recebe não depende apenas do IRS retido mensalmente, uma vez que ainda é preciso retirar 11% do salário bruto para descontos para a segurança social.
No caso de ser um contribuinte com dependentes, mais uma vez o raciocínio seria o mesmo, mas teria ainda se abater 21,43 euros por dependente.
Veja aqui algumas simulações
Um casal de pensionistas pode vir a poupar mensalmente entre três e quinze euros e um solteiro sem filhos pode chegar a ter na sua carteira todos os meses mais 22 euros. São estes alguns dos efeitos que a entrada em vigor das novas tabelas de retenção na fonte vai ter no salário e nas pensões dos portugueses, segundo cálculos feitos pela consultora Ilya.
Este impacto começa a ser medido depois de, durante a manhã, terem sido publicadas as novas tabelas no Portal das Finanças que refletem já a redução das taxas de IRS do 2.º ao 5.º escalão, da atualização dos limites dos nove escalões de rendimento em 3,51% e do aumento do mínimo de existência para 12.880 euros.
Assim, segundo as simulações feitas pela Ilya para a CNN Portugal, os ganhos mensais variam consoante o rendimento, sendo mais expressivos nos salários médios e médios-altos: um trabalhador solteiro sem filhos com um rendimento mensal de 1.200 euros poderá poupar cerca de 12 euros por mês, sendo que a retenção na fonte desce dos 108 euros para os 96 euros.
Este valor sobe para 13 euros, caso o contribuinte aufira 1.500 euros, refletindo uma descida da retenção na fonte de 181 para 168 euros. A poupança chega aos 17 euros/mês no caso de trabalhadores que recebam um salário de 2.000 euros e até 22 euros mensais para quem aufere 4.000 euros.
Estas simulações também se aplicam aos casais, em que ambos auferem rendimentos, e não tenham dependentes, uma vez que a tabela de retenção é a mesma que se aplica aos solteiros sem dependentes.
Já no caso de um casal de pensionistas, também se verifica um alívio mensal, mas mais moderado: para um pensionista que aufira 1.300 euros mensais, a poupança ronda os três euros por mês, com a retenção a descer de 107 para 103 euros.
Este ganho sobe para cerca de quatro euros com pensões no valor de 1.500 euros, oito euros no caso de o rendimento mensal ascender aos 2.000 e pode atingir os 15 euros por mês para pensões de 4.000 euros.
Para assegurar que os trabalhadores que ganham a remuneração mínima não são tributados em IRS, as tabelas salvaguardam que a taxa de retenção é de 0% até 920 euros brutos mensais, em linha com o novo salário mínimo.
Também as pensões até 920 euros não farão qualquer retenção de IRS.
O despacho hoje publicado produz efeitos a partir de 01 de janeiro de 2026.
Se as empresas e outras entidades pagadoras não aplicarem as novas tabelas neste mês de janeiro, terão de corrigir os valores em fevereiro. Embora o despacho do Governo não o refira, é isso que resulta das regras gerais do Código do IRS. Quando uma entidade pagadora verificar um erro no valor retido deve retificá-lo na retenção imediatamente a seguir ou nas seguintes se o montante em excesso não se puder retificar numa só retenção.
E se for um casal com dois filhos?
A descida nas retenções na fonte de IRS em 2026 é geral para todos os tipos de agregados ou de rendimentos, segundo a consultora PwC. "Em todos os cenários apresentados, o valor de retenção na fonte a pagar em 2026 será mais baixo do que o valor pago nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025", assegura a consultora.
Para alguém que aufira um salário de mil euros, a diferença para o ano passado será uma poupança de 14 euros mensais - que acaba por ser maior do que um casado com dois dependentes que tenha um rendimento mensal de 1250 euros. Neste último caso, a diferença na retenção da fonte será de menos 12 euros.
Para quem nestas mesmas condições tenha um rendimento mensal que ascenda aos 1500 euros, o ganho na retenção da fonte é de 13 euros por mês. A diferença torna-se substancialmente maior para salários de 2 mil euros, onde a retenção na fonte passa a ser de 258 euros/mês - ou seja menos 17 euros, ou rendimentos de 2500 euros, onde o ganho mensal chega aos 21 euros.