Djokovic diz que prefere falhar Roland Garros e Wimbledon a ser obrigado a vacinar-se

15 fev, 06:44

Apesar de ter falhado o Open da Austrália, o número um do mundo, que tem no currículo 20 títulos de Grand Slam, espera poder continuar a jogar "por muitos mais anos". Mas se os critérios de admissão dos torneios não mudarem, deixando cair a obrigatoriedade de vacinação contra a covid-19, prefere apostar no seu corpo

Novak Djokovic diz que prefere falhar a participação em Roland Garros e Wimbledon a ser obrigado a vacinar-se. Em entrevista exclusiva à BBC, que vai ser difundida nesta terça-feira, o tenista sérvio garantiu que se trata apenas de uma questão de liberdade de escolha relativamente ao seu corpo e não qualquer sentimento antivacina.

Questionado diretamente se estaria disposto a sacrificar a participação em grandes torneios devido à sua recusa em vacinar-se contra a covid-19, Djokovic foi muito claro.

"Sim, é o preço que estou disposto a pagar", afirmou.

Djokovic foi deportado da Austrália em janeiro, um dia antes do arranque do Open da Austrália, o primeiro Grand Slam do ano, depois de a sua situação clínica relativamente à covid-19 não ser considerada clara, nomeadamente o facto de não estar vacinado, apesar de o tenista alegar que estava recuperado da doença. Quando o país vivia fortes restrições sanitárias devido à pandemia, Djokovic acabou por ter o seu visto recusado, com o governo australiano a considerar que o seu caso estava a alimentar a "agitação civil" e a incentivar o sentimento antivacina.

"Nunca fui contra a vacinação. Mas sempre defendi a liberdade de escolher o que ponho no meu corpo", justificou, apontando que tomou vacinas em criança.

Apesar de ter falhado o Open da Austrália, o número um do mundo, que tem no currículo 20 títulos de Grand Slam, espera poder continuar a jogar "por muitos mais anos". Mas se os critérios de admissão dos torneios não mudarem, deixando cair a obrigatoriedade de vacinação contra a covid-19, prefere continuar a apostar no seu corpo.

"Os princípios das decisões sobre o meu corpo são mais importantes do que qualquer título ou que qualquer outra coisa. Estou a tentar estar em sintonia com o meu corpo o máximo que consigo", sublinhou, dizendo que "sempre foi um grande estudioso da saúde, do bem-estar e da nutrição" e que este entendimento tem tido um impacto muito positivo nas suas capacidades atléticas.

Voltando à vacina contra a covid-19, garantiu que mantém a "mente aberta" para a possibilidade de ser vacinado no futuro, porque "todos estamos a tentar descobrir a melhor forma de acabar com a doença".

"Entendo que, globalmente, todos estão a fazer um grande esforço para lidar com este vírus e espero que o fim deste vírus esteja para breve", observou.

Sobre os polémicos dias que viveu num quarto de hotel na Austrália e as acusações de que teria testado positivo em meados de dezembro, mesmo a tempo de garantir uma declaração médica de excepção para participar no torneio, Djokovic disse "compreender as teorias", mas lembrou que "ninguém tem sorte ou conveniência em ter covid-19".

"Milhões de pessoas lutaram e ainda lutam contra a covid-19 em todo o mundo. Por isso levo este assunto muito a sério. Não gosto que pensem que usei indevidamente algo mau a meu favor para obter um teste PCR positivo e eventualmente poder ir para a Austrália."

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