Príncipe André nega acusações de abuso sexual e exige julgamento com júri

27 jan, 10:27
Príncipe André

Ao longo de 11 páginas, os advogados do príncipe André respondem, parágrafo a parágrafo, a todas as acusações feitas por Giuffre. Todas são negadas, incluindo a de que o príncipe era um "amigo próximo" de Ghislaine Maxwell e um "convidado frequente" das casas que Jeffrey Epstein tinha por todo o mundo

O príncipe André negou formalmente as alegações de que abusou sexualmente de Virginia Giuffre, quando esta tinha 17 anos e exigiu um julgamento com júri, avança a CNN, que cita o acordo legal entregue no tribunal norte-americano.

"O príncipe André nega que tenha sido conspirador de Epstein ou que Epstein tenha traficado raparigas para ele", escrevem os advogados Andrew B. Brettler e Melissa Y. Lerner nos documentos entregues em tribunal.

Virginia Giuffre, atualmente com 38 anos, acusa o duque de Iorque de ter abusado dela três vezes quando era menor. A vítima também acusou o bilionário Jeffrey Epstein (que morreu em 2019) de tráfico sexual, e ganhou o caso. 

Ao longo de 11 páginas, os advogados do príncipe André respondem, parágrafo a parágrafo, a todas as acusações feitas por Giuffre. Todas são negadas, incluindo a de que o príncipe era um "amigo próximo" de Ghislaine Maxwell e um "convidado frequente" das casas que Jeffrey Epstein tinha por todo o mundo. 

No entanto, o segundo filho da rainha de Inglaterra admite que conheceu Epstein em 1999, que este e Maxwell estiveram na sua festa de aniversário em 2000, e que quando o príncipe foi fotografado com Epstein no Central Park, em Nova Iorque, em 2010, André estava hospedado na mansão de Epstein.

O advogado de Giuffre, David Boies, considera que as respostas do príncipe André mantém o padrão escolhido até agora - de negar ter conhecimento ou informação das acusações - e que "anseiam pelo julgamento".

"As respostas do príncipe André continua a sua abordagem de negar qualquer conhecimento ou informação sobre as acusações contra ele, e pretende culpar a vítima do abuso por, de alguma forma, ter causado isso a si mesma. Estamos ansiosos para confrontar o príncipe André com suas negações e tentativas de culpar a Sra. Giuffre pelos abusos em julgamento", afirmou o advogado em comunicado.

Julgamento em dezembro?

O pedido por um julgamento com júri acontece duas semanas depois de um juiz do Tribunal Federal de Nova Iorque ter rejeição da moção do príncipe André e consequente arquivamento do processo.

Até 14 de julho, o duque de Iorque terá de cumprir a decisão do juiz Lewis Kaplan, tomada no ano passado, e responder a perguntas sobre o caso sob juramento, ou seja, em tribunal.

Se todos os recursos forem negados e não houver acordo entre as partes, este julgamento poderá ser realizado entre setembro e dezembro de 2022.

O que está em causa?

Em 9 de agosto passado, o Duque de Iorque, de 61 anos, foi envolvido num processo que deu entrada no tribunal federal de Manhattan pelas mãos dos advogados de Virginia Giuffre, que em comunicado dizia que queria provar que tinha sido traficada e abusada sexualmente pelo membro da família real britânica.

Segundo a acusação, que envolve um pedido de indemnização e punição, não divulgados, o príncipe terá abusado de Giuffre em várias ocasiões, quando esta tinha menos de 18 anos. E relata que, numa ocasião, o abuso sexual terá ocorrido em Londres, na casa de Ghislaine Maxwell, recentemente condenada por tráfico sexual, quando Epstein, Maxwell e o príncipe André alegadamente a forçaram a ter relações sexuais com o príncipe contra a sua vontade.

Noutra ocasião, o príncipe terá abusado sexualmente de Giuffre na mansão de Epstein em Nova Iorque, quando Maxwell alegadamente forçou Giuffre e outra vítima a sentarem-se no colo do príncipe André enquanto ele a tocava, frisa o processo. A acusação alega ainda que André terá abusado sexualmente de Giuffre numa ilha particular de Epstein, nas Ilhas Virgens.

Durante cada um dos alegados atos, Giuffre diz que recebeu “ameaças expressas ou implícitas” de Epstein, Maxwell e/ou André para se envolver em atos sexuais com o príncipe, pode ler-se ainda.

O processo aponta ainda que o príncipe André sabia a idade da vítima naquela altura e que, não obstante, procedeu “com o propósito de satisfazer os seus desejos sexuais”.

O Príncipe André nega veementemente as acusações e qualquer comportamento impróprio, alegando que nunca se encontrou com a mulher em causa, e ainda pode recorrer da decisão do juiz de Nova Iorque.

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